Opinião
Rostos do mal
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O pernambucano Roque de Brito Alves, doutor em Direito, professor da Universidade Federal de Pernambuco, advogado criminalista, reconhecido no plano nacional e internacional, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras (APL), era um grande conhecedor da natureza humana.
As palestras do saudoso professor Roque, na APL, sobre tragédia, cativavam a plateia – a tragédia como um “drama humano profundo” e “gênero literário”. Ele conhecia, nas formas e nuances, as tragédias gregas e as tragédias de Shakespeare, “sobre a alma humana”, magistrais obras que “antecederam e foram confirmadas pelas análises das ciências que a partir do século 19 tiveram o homem como seu objeto de pesquisa”. Este assunto específico auxiliava os estudos e conclusões do jurista recifense, diante da realidade da vida. Dizia ele, em síntese, “compreendemos a tragédia como o mundo do homem terrível, o mundo dos demônios da alma, o mundo da maldade humana” – o ódio, a inveja, a vingança e o ciúme, são as raízes. Os três primeiros parágrafos acima objetiva introduzir e apoiar a compreensão deste artigo, que trata de uma coleção de livros recentemente lançada pelo jornal “El País” com o título “Rostos do mal”, com as biografias de figuras das mais cruéis da história do planeta Terra. A novidade cultural surge, em boa hora, como alerta, num momento preocupante para os terráqueos, em todos os quadrantes do globo (isso, sem negacionismo), que sofre com as avalanches de maldades de diversas origens e métodos. Comenta o El País: “Existem figuras cujos crimes, atos terríveis, lhes converteram em estereótipos do mal. Se encontram em todas as épocas”. (...) “Suas histórias comocionam e horrorizam, mas também exercem uma misteriosa fascinação, desafiam a compreensão do ser humano”. O principal periódico ibérico esclarece que a biografia de cada personagem, lançada no último mês de janeiro, deriva de um exaustivo trabalho de pesquisa, com documentos e fontes, investigações policiais, juízos e legados de cada figura (nefastos, claro), a cuidado de um experto no tema, em narração meticulosa. No final de cada volume da coleção “Rostos do mal”, referente a cada figura biografada, o leitor encontrará a descrição do perfil do protagonista, elaborado pelo psicólogo e criminologista Vicente Garrido, catedrático da Universidade de Valência: “O que faço é conectar o perfil psicológico com o que o leitor acaba de ler, para oferecer as chaves que existem detrás do seu comportamento violento”, explica Garrido. “Em alguns casos, isso pode supor falar de patologias mentais e aprofundar no contexto histórico, pois, muitos personagens, ainda que surpreendam por sua crueldade, não diferem do comportamento de seus contemporâneos”.
O primeiro volume (1º), já publicado, foi “Adolf Hitler – O ódio exterminador”, personagem que “é para muitos a personificação mais extrema da maldade”. O trágico Fürer alemão provocou a Segunda Guerra Mundial, onde morreram mais de 50 milhões de pessoas, uma parte delas vítimas do racismo sistemático para a “supremacia da raça ariana”. Na leitura da vida de Hitler, vai ser possível percorrer a mente (...) “da perversidade de um homem egocêntrico, narcisista, compulsivo e paranoico”.
A publicação segue com os seguintes volumes, pela ordem: “(2º) Vlad Drácula - O empalador da Valáquia. (3º) Jack O Estripador - O diabo em Whitechapel. (3º) Pablo Escobar - O czar da cocaína. (4º) Robespierre - A alma do terror. (5º) Os sacamantecas. (6º) Átila. (7º) Mengele - O anjo da morte em Auschwitz. (8º) Ted Bundy. (9º) Tomás de Torquemada. (10º) Calígula - O monstro de Roma”. A lista da coleção é maior, adiante iremos encontrar outras biografias de figuras análogas tais Al Capone, Enrique VIII da Inglaterra, Rasputin e Elisabetta Báthory, apelidada de Condessa Sanguinária. No mercado editorial é comum traduzir obras de outras nações para publicar na interessada. Não estranhem se a coleção “Rostos de mal” for publicada no Brasil. E, como tudo na vida é possível, também não duvidem da possibilidade de algum brasileiro vir a fazer parte desta coleção, num futuro próximo, pelo legado maléfico. Nada pode ser descartado, de tempos sombrios; o atual é um exemplo.
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