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Opinião

BRINCADEIRA DE MAU GOSTO

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A Associação Brasileira de Psiquiatria está lançado a campanha “Delete essa ideia”, que visa conscientizar a população contra o bullying. A iniciativa visa esclarecer, alertar e combater o bullying e o cyberbullying, prática que se tornou um grave problema de saúde pública nos últimos anos. Cada vez mais crianças e jovens sofrem diariamente agressões psicológicas e físicas, que resultam em sérias consequências para a saúde física e mental.

Segundo especialistas, os transtornos provocados pelo bullying nas crianças e jovens dependem muito de como as agressões serão internalizadas e como serão trabalhadas no âmbito escolar e familiar. Algumas crianças e adolescentes, dependendo do nível de resiliência e adaptabilidade, vão precisar de suporte psiquiátrico e, por vezes, até jurídico. Podem ser desenvolvidos quadros depressivos e ansiosos, entre outros, incluindo o abuso de álcool e outras substâncias. Muitos podem argumentar que brincadeiras entre crianças sempre existiram e antigamente não tinham tanta repercussão como hoje. Entretanto, especialistas explicam que a principal diferença é a intensidade e a dimensão que a tecnologia proporciona. Tudo hoje é gravado, divulgado e compartilhado rapidamente, e a situação facilmente sai do controle, o que gera insegurança em crianças e adolescentes. Estudo do IBGE, publicado no ano passado, mostrou que cerca de 23% dos estudantes afirmaram ter sofrido bullying por parte de colegas. A pesquisa revelou também que um em cada dez adolescentes, do total de 188 mil entrevistados, já se sentiu ameaçado, ofendido e humilhado em redes sociais ou aplicativos, sendo vítima do cyberbullying. Quanto à saúde mental, 50,6% dos estudantes disseram se sentir muito preocupados com as coisas mais comuns do dia a dia. De acordo com o estudo, um em cada cinco estudantes afirmou que a vida não valia a pena ser vivida. Portanto, é preciso que o bullying seja debatido cada vez mais na escola e também na família, que precisam de toda a orientação para saber tratar adequadamente a questão. Trata-se de um problema que ganhou uma dimensão tão grande, que já não pode ser ignorado ou subestimado.

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