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Opinião

CENÁRIO DESIGUAL

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A Fundação Oswaldo Cruz classificou ontem o cenário atual da pandemia do novo coronavírus como bastante promissor, mas destacou que as desigualdades do País criaram diferentes realidades até mesmo dentro do mesmo município. Para a instituição, é equivocado pensar em redução de leitos, testagem e uso de máscaras no País como um todo.

Para a Fiocruz, nota-se a existência de dois Brasis, um do Norte e outro do Sul. Estados do Sul e Sudeste estiveram sempre acima da média nacional de vacinação e já mostram ter passado do pico de infecções da variante Ômicron. Os estados do Norte e Nordeste, por outro lado, ainda podem estar atravessando o pico de casos e têm curvas de óbitos ainda em movimento de alta. A recomendação dos pesquisadores é a manutenção de medidas de distanciamento físico, uso de máscaras e higienização das mãos mesmo em ambientes abertos onde possa ocorrer maior concentração e aglomeração de pessoas. Para a Fiocruz, o enfrentamento do cenário atual da pandemia exige combinar políticas de combate às fake news com busca ativa dos não vacinados. Também são sugeridas estratégias de ampliação de horário das unidades de saúde e campanhas de vacinação nas escolas, atingindo crianças, pais e professores. Com o avanço da vacinação, a taxa de letalidade por Covid-19 no Brasil alcançou valores baixos e compatíveis com os padrões internacionais, de cerca de 0,8%, após vários meses oscilando entre 2% e 3%. Esse percentual poderia cair ainda mais com a ampliação da vacinação em regiões de baixa cobertura vacinal e com a aplicação de doses de reforço em grupos populacionais mais vulneráveis. Entretanto, ao mesmo tempo em que começam a cair os indicadores de transmissão nas capitais e regiões metropolitanas, a difusão do vírus em direção a regiões com baixa cobertura de vacinação e precária infraestrutura de serviços de saúde pode gerar quadros epidemiológicos perigosos, com um aumento de casos graves e mesmo óbitos nas próximas semanas. Em outras palavras, o cenário é promissor, mas a pandemia ainda não acabou.

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