Opinião
Impactos profundos
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Relatório do Painel Intergovernamental sobre Especialistas em Mudanças Climáticas, divulgado ontem pela Organização das Nações Unidas (ONU), alerta que os impactos das mudanças climáticas estão sendo muito mais rápidos do que o previsto pelos cientistas. O resultado são perturbações perigosas e generalizadas na natureza.
O relatório destaca que, nas próximas duas décadas, o planeta enfrentará vários perigos climáticos inevitáveis, caso o aquecimento global chegue a 1,5°C. Alguns deles terão efeito irreversível. Os riscos são cada vez maiores e terão consequências para infraestruturas e para assentamentos costeiros de baixa altitude. Embora o documento trace um cenário para um futuro próximo, os efeitos já começaram a ser sentidos. No Nordeste do Brasil, as áreas semiáridas e áridas estão sofrendo uma redução dos recursos hídricos. A vegetação semiárida provavelmente será substituída por uma vegetação típica da região árida. Nas florestas tropicais, é provável a ocorrência de extinção de espécies. A recarga estimada dos lençóis freáticos vai diminuir dramaticamente em mais de 70% no Nordeste.
Enquanto isso, no Sudeste, as chuvas vêm aumentando com impacto direto na agricultura e no aumento da frequência e da intensidade das inundações nas grandes cidades. O nível do mar, a variabilidade climática e os desastres provocados pelas mudanças climáticas devem ter impactos nos mangues.
Os especialistas ressaltam que os países precisam se adaptar às novas necessidades. É hora de acelerar a transição energética para um futuro de energia renováveis. Nas últimas décadas, o Brasil sempre esteve na vanguarda das políticas ambientais e precisa retomar esse caminho na busca pelo desenvolvimento sustentável. A transição imediata para uma fonte renovável de energia é a único caminho para garantir a segurança energética, o acesso universal e para os empregos verdes que o mundo precisa. Ainda há tempo de minimizar esses impactos. Se nada for feito, a humanidade pagará um preço alto, com um número ainda maior de tragédias.
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