Opinião
Um silêncio impossível
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Ver pais despedindo-se de seus filhos pequenos na fronteira com a Polônia para permanecerem nessa guerra infame, podendo nunca mais revê-los; prédios civis sendo bombardeados, entre os quais conjuntos habitacionais, torres de TV, hospitais, orfanatos; usinas que suprem energia para suas gélidas noites. Constata-se a falta de quase tudo menos a heroica resistência da população da Ucrânia, enquanto na Rússia invasora os manifestantes pela paz, entre os quais, mulheres e uma idosa remanescente do cerco de Leningrado são reprimidos brutalmente e presos, nos transportam para dentro de casa uma crueldade que levou Benjamim Franklin a exclamar: “Nunca houve uma guerra boa nem uma paz ruim” A invasão russa objetiva subjugar os bravos ucranianos não só pela força das armas mas também pelo frio, pela fome e pela desesperança.
Os meios de comunicação russa, controlados por Putin, manipulam as informações de acordo com os interesses do ex-agente da KGB e de seu séquito de oligarcas, bilionários, cujas imensas fortunas, segundo a imprensa, foram obtidas não de investimentos produtivos nem mesmo de especulações no mercado de capitais, mas de transações ilegais, manobras obscuras corrompendo altos funcionários da antiga URSS, que regiamente cooptados, lhes repassariam as empresas e instituições (principalmente petrolíferas, de energia e infraestrutura) potencialmente lucrativas do regime comunista que diluiu-se em 1991. O núcleo duro e a elite econômica que sustentam Putin ameaçam a paz europeia e mundial são originais e promovem essas monstruosidades numa região onde existem inúmeras instalações nucleares. A desesperada imigração dos ucranianos para países vizinhos trará ainda um intenso agravamento da situação já crítica dos refugiados na Europa. Outras consequências nefastas, como a inflação de commodities, principalmente o petróleo e o trigo, logo chegarão às nossas mesas e tornarão a recuperação mundial da pandemia de Covid-19 ainda mais penosa. A adequada posição da diplomacia brasileira na Assembleia Geral da ONU que condenou Putin, necessita ser reforçada por condenações explícitas e apoio às sanções econômicas ao déspota Putin, para que também não restem dúvidas e obstáculos às pretensões nacionais, como entrar para a OCDE. Samantha Power escreveu: “Não podemos ficar em silêncio diante da atrocidade. Isso seria aceitação”. Estamos vivendo uma página decisiva da história da resistência das democracias ocidentais contra o totalitarismo. Não pedemos fechar os olhos diante desse cenário devastador. As democracias precisam vencer para sobreviver.