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Opinião

São muitas Guernicas. Paz à humanidade!

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Há pouco mais de cinco anos, no artigo Calamidades, publicado em 10/02/1017, diante dos fatos da época foi escrito o seguinte: “Em tempos de Putin, presidente da Rússia, na Europa, não dar para estranhar agora o Trump, novo presidente dos EUA, na América. Complementam-se no movimento estratégico da política global dos últimos anos. Com suas indiossincrasias, estão na frente do poder de duas das mais influentes potências do planeta. Temos que ter sangue frio”.

No dia 03/03/2022, uma das manchetes de capa do El País diz, sobre a recente guerra na Ucrânia: “O cerco russo provoca o maior êxodo de refugiados em 75 anos” (“El asedio ruso empuja al mayor éxodo de refugiados en 75 años”). São centenas de milhares de pessoas, mais de um milhão. As imagens comovem, principalmente de mulheres e crianças apavoradas com o drama vivido. Tudo consequência da agressão da Rússia à soberania da Ucrânia, um ataque de guerra com forte armamento militar, de terra, mar e ar, desproporcional, iniciado no último dia 24 de fevereiro. O que estamos assistindo dos bombardeios russos nas cidades ucranianas, inclusive com mísseis que atingem alvos civis, não há dúvidas sobre o massacre perpetrado; são muitas “Guernicas”, um crime contra a humanidade. Casas de famílias inteiras estão sendo destruídas e os espaços pulverizados, pela insensibilidade de um autoritário. Enfim, milhares de famílias ucranianas estão aniquiladas, separadas de entes queridos, vagando pelo mundo sem nada e sem saber o que fazer a não ser ter a sorte de encontrar em algum lugar a bondade de semelhantes em melhores condições para lhes socorrerem. Desse modo, os países da Europa e do mundo, a maioria da parte ocidental, mobilizaram-se, unidos, na tomada de sérias medidas – sanções, contra a agressora Rússia, e de apoio e ajuda à agredida Ucrânia e seu povo. A Assembleia Geral da ONU, convocada e reunida em caráter de emergência, depois de 15 anos, aprovou na quarta-feira, dia 2 de março, a resolução que “deplora” os ataques russos contra a Ucrânia: no final, 141 países votaram a favor da condenação da Rússia, 5 votos foram contra e 35 abstiveram-se. Temos, pessoalmente, a responsabilidade de condenar essa cruel agressão à Ucrânia, pois somos partícipes das três primeiras gerações pós-Segunda Guerra Mundial – dela, sempre nos mostraram, com abundância de registros, imagens e análises, as suas consequências maléficas e as justificativas da catástrofe que um novo conflito generalizado poderia representar à humanidade. O continente europeu, onde se deu os fúnebres conflitos das duas guerras mundiais, trabalhou todo esse período para que nada igual voltasse a acontecer entre seus países. Mas, depois de 75 anos, o instinto imperialista e de violência do lado agressor não considerou o diálogo, nem levou em conta o direito soberano de outras nações nem o espírito pacifista. O mundo moderno, que caminha no primeiro quarto do século 21, com as conquistas na ciência e na tecnologia, em pleno estado da arte, na expansão do conhecimento, na aproximação dos povos, no bem-estar, na expectativa de vida e na busca do aprimoramento das democracias, não comporta mais guerras. Quem admite, presta solidariedade ou não condena uma tragédia dessas, premeditada, é pior do que ela própria. Paz à humanidade!

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