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Opinião

A guerra das criptomoedas

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A invasão da Ucrânia pela Rússia tem revelado um protagonismo crescente das criptomoedas no sistema financeiro internacional. Desde os primeiros dias do ataque, ONGs e grupos de voluntários ucranianos vêm recebendo dezenas de milhões de dólares em doações de criptomoedas para seu esforço de guerra.

A Rússia, desde que se viu apartada do sistema financeiro convencional, tem ampliado a compra de criptos. Na primeira semana da ofensiva, o volume médio negociado em rublo na Binance - maior corretora de criptoativos do mundo - mais do que triplicou. O movimento russo é uma resposta às retaliações do ocidente via sanções de diversos tipos, principalmente financeiras. A União Europeia congelou o acesso do Banco Central da Rússia aos ativos na instituição, proibindo transações. Assim seguiu o Departamento do Tesouro Norte-Americano, que também proibiu interações com o Fundo Soberano da Rússia. Os principais bancos russos (incluindo Sverbank e VTB Bank) foram isolados pelos EUA e a Europa, ejetando do mercado europeu tradicionais instituições financeiras. A União Europeia anunciou a retirada de diversos bancos russos do sistema Serviço de Telecomunicações Financeiras Interbancárias (SWIFT). Ao encerrarem-se as portas do sistema financeiro centralizado, passou a ganhar força a descentralização monetária. E o mercado das criptomoedas surgiu como uma opção de sobrevivência aos russos, pois não sofre interferência governamental e tem suas transações realizadas no mundo todo através do processo de blockchain. Neste contexto bélico, a moeda digital que dá as cartas na Rússia e na Ucrânia é a bitcoin - que já circula mais do que muitas moedas convencionais: ao início de março, seu valor de capital passava de US$ 839 bilhões, o que a confere o posto de 14ª maior moeda em capitalização (se considerada uma moeda); para fins de comparação, o real brasileiro é o 12º. O que se está vendo, nos sistemas financeiros russos e ucranianos, é um movimento que acelera a utilização de modelos descentralizados por grandes agentes públicos e privados. Para o bem ou para o mal, a bitcoin está mostrando a sua importância.

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