Opinião
Reclamos empobrecidos
Representantes de 192 países estão reunidos em São Paulo, na décima primeira reunião de ministros de estado na Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad). A tônica do encontro tem sido a constatação pelos países menos desenvolvidos de que as relações comerciais entre os países ricos e pobres continuam desiguais e que a única saída para que possam aumentar suas exportações para as nações mais desenvolvidas é a união de todos em torno da liberalização do comércio mundial. As barreiras alfandegárias, as tarifas de importação, os subsídios (principalmente aos produtos agrícolas) e as cotas de importação foram apontados como os principais entraves ao chamado ?livre comércio?. Os países mais desenvolvidos pressionam pelo fim das barreiras comerciais nos países menos desenvolvidos (e apenas nas áreas de seu interesse) ao mesmo tempo em que fortalecem as barreiras em seus próprios mercados. Um aspecto fundamental para a existência de um comércio mundial mais justo diz respeito à falta de especialistas entre os países pobres para lidar com questões complexas envolvidas nas transações comerciais internacionais. O presidente do Uruguai citou, como exemplo, as negociações sobre subsídios agrícolas com os europeus, onde os países pobres contam com meia dúzia de especialistas, os países ricos têm um ?exército? à disposição. A necessária união dos países menos desenvolvidos tem esbarrado em diversos problemas dos quais os mais relevantes se referem ao peso econômico de cada país no cenário mundial ou mesmo regional, uma pauta de exportação semelhante (o que gera competição entre esses países), acordos bilaterais com países desenvolvidos e, principalmente, vontade política. Desde 1998 funciona o Sistema Global de Preferências Comerciais (SGPC), criado no âmbito da Unctad para auxiliar na eliminação ? entre os países menos desenvolvidos ? de barreiras alfandegárias, tarifas, cotas de importação, dentre outras, sem que essas medidas necessitem ser atendidas pelos mais desenvolvidos. O Brasil propõe que esse acordo assinado por 40 países seja ampliado para 77 signatários, o que legitimaria a reivindicação dos países pobres pela liberação dos mercados dos países ricos. Como sempre: reclamações justas, muita conversa, alguma esperança e muito pouco resultado. Pelo menos até agora.