Opinião
O ódio, a solidariedade e a paz
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“Onde se encontram esses inimigos? Capuleto, Montéquio/Vede que maldição se abateu sobre vosso ódio/Como os céus descobriram o meio de destruir vossas alegrias com o amor”, Shakespeare, Romeu e Julieta, ato V, cena II. Entre o discurso e a prática normalmente existem diferenças. Mas quando estão alinhados, isso é significativo. Na Segunda Guerra Mundial, o discurso de Hitler, tinha seus eixos centrados na superioridade racial ariana e na conquista do “espaço vital” para a sua expansão. Ele anunciava uma predestinação que seria facilitada pela fraqueza e a decadência das democracias ocidentais, que não teriam moral nem firmeza para lhes resistirem. E inicialmente o seu discurso de ódio e a sua Blitzkrieg subjugaram o continente europeu, só resistindo-lhe a Inglaterra.
Caso Goebbels, seu ministro da Propaganda (que se suicidou perante a queda de Berlim, tendo antes o cuidado de matar por envenenamento os 5 filhos pequenos e a mulher), reencarnasse, aplaudiria freneticamente os discursos nas redes sociais, glorificando a força bruta, o poder e a predestinação de Putin diante da fragilidade e da decadência das democracias ocidentais, pois esse era o discurso de ódio de Hitler, que foi seguido pela prática ao estuprar e eliminar crianças, mulheres e 6 milhões de judeus, somando 60 milhões de mortos, dos quais 40 milhões eram civis. Esses devotos da violência e da guerra são absolutamente insensíveis. Eles “esqueceram”, todavia, que ao final as democracias venceram. No século XXI, não esperávamos jamais enfrentar semelhante ameaça como essa guerra da Ucrânia, que se agrava. Acreditávamos até, ingenuamente, que diante de um arsenal de artefatos nucleares capaz de aniquilar a vida na Terra incontáveis vezes, o homem jamais promoveria e arriscaria, o que, por algum motivo imprevisível, detonasse a espoleta do Armagedom das armas nucleares. A natureza humana e a sua pulsão pela morte (do alemão Todestrieb, estudada por Freud, é a pulsão em direção à morte e à autodestruição) são patologicamente irrefreáveis. O bombardeio de hospitais pediátricos e maternidades não os sensibiliza. Eles e suas famílias estão confortáveis e muito distantes... Os efeitos econômicos e sociais dessa guerra alcançarão todos nós, com falta de alimentos, inflação, recessão mundial, mais desemprego, pobreza e miséria. A corrida rearmamentista generaliza-se e torna o mundo ainda mais instável e inseguro. Em Hamlet, Shakespeare mostra que o ódio, a traição, o assassinato, a vingança e o amor são características do ser humano. Mas somente o amor e a solidariedade desafiam o ódio na Ucrânia, ao serem praticados por voluntários, ONGS, nações que acolhem os refugiados, e nos quatro cantos do mundo pelos que clamam e oram pela paz. Só a paz e a solidariedade constroem a prosperidade, mantém e preservam a vida humana.