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Opinião

As atrocidades e o isolamento

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A Coca-Cola e os jeans são compradas hoje facilmente em todos os lugares, mas na extinta União Soviética (URSS) a Pepsi e a Coca-Cola eram proibidas e só chegaram lá em 1974 e 1979, respectivamente. O McDonald´s só abriu a sua primeira filial em Moscou em uma surreal inauguração que formou imensas e insuperáveis filas sob o inverno de 1990, véspera da sua extinção, em 1991. Esses ícones do consumo eram considerados símbolos do decadente imperialismo capitalista e só eram superados em simbologia e cobiça pelos jeans, eterno objeto do desejo da juventude e conseguidos apenas no mercado negro soviético a preços estratosféricos. O regime comunista brilhou durante certo tempo, tinha ameaçadores misseis balísticos intercontinentais, mas não dispunha dos cobiçados e frugais produtos de consumo ocidentais.

A invasão russa na Ucrânia tem incontestavelmente na barbárie perpetrada contra os seres humanos de todas as idades e sexos o mais atroz dos seus aspectos. Ela ganha escala e ameaça extrapolar aos vizinhos da Otan. São cometidos crimes de guerra diariamente e as inescrupulosas fake news infectam a internet (“Na guerra, a primeira vítima é a verdade”, atribuído a Esquilo). E no Brasil, tanto a extrema-direita quanto a extrema-esquerda esquerda, irmanadamente, apoiam a Rússia nessas atrocidades. A extrema-direita endeusa o autocrata Putin e abaliza todos os seus antecedentes criminais. Já a esquerda ainda não entendeu que a Rússia atual não é a URRS comunista. A antiga URSS e a Rússia atual são semelhantes apenas na repressão letal à oposição, na repressão brutal à imprensa independente, na domesticação do Judiciário e na absoluta falta de direitos humanos. Alguns fatos, exemplarmente, apresentam-se em sentido inverso: a Coca-Cola e o Mcdonalds (que tinha lá sua maior filial mundial) deixam Moscou com centenas de outras big empresas multinacionais, abandonando todos os seus investimentos, porque estão atentas às repercussões favoráveis disso na opinião pública mundial. À China, o único apoio relevante de Putin, não interessa uma estagnação econômico/financeira mundial aprofundada, pois precisa vender os seus produtos para abastecer a sua gigantesca população, manter o seu crescimento e a sua influência. O ocidente se une e isola a Rússia no cenário mundial, é uma resposta e um exemplo “O exemplo é a escola da humanidade, em nenhuma outra ele aprenderá”, disse Edmund Burke para políticos ocidentais e em especial sul-americanos, que, inspirados em Putin, pretendem chegar ao poder ou mantê-lo através de rupturas que ameacem a democracia. Políticos dessa linha não deverão ter respaldo - as sanções e o isolamento serão seus legados.

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