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Sombras na balan�a

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Uma mistura de cenário internacional favorável, câmbio competitivo e aumento da demanda mundial por alguns dos principais produtos brasileiros foram os grandes responsáveis pelo superávit da balança comercial no ano passado. Neste ano, até o momento, o desempenho de nossas exportações continua notável: nos primeiros quinze dias de junho o superávit já tinha ultrapassado a marca dos US$ 690 milhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento. O país vem exportando diariamente - este mês ? algo em torno de US$ 415 milhões. Esse resultado foi alcançado principalmente pela exportação de commodities, que registraram vendas médias diárias de cerca de US$ 168 milhões, volume que vem sendo 36,7% superior a maio deste ano e 83% a junho de 2003. Desse total, novamente, o produto mais comercializado foi a soja, responsável por quase 30% dos nossos embarques e de vendas diárias médias de US$ 115 milhões (110% superiores a maio e 159% a junho de 2003). Nos últimos anos o agronegócio (com destaque para a soja, responsável por um terço das receitas do setor) vem sendo o principal destaque das exportações brasileiras. No entanto, para especialistas, este desempenho não será o esperado para 2004 (estimava-se o crescimento do PIB do setor em 6%, reduzido agora para 3%), em virtude da quebra das safras de milho e soja, além da redução nos preços das commodities no mercado externo. Outro fator levantado pelo secretário-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Untacd), diz respeito à ?limitação de oferta? de alguns dos principais produtos exportáveis brasileiros, como celulose, papel e aço, em decorrência da retomada do crescimento da economia brasileira. Nada de alarme no momento, mas será preciso observar o desfecho do imbróglio Brasil e China sobre a soja e o comportamento do preço desse produto no mercado internacional (que vem caindo, mas ainda se encontra 20% acima do preço médio de 2003), e se a queda é temporária ou marcaria uma tendência verificada nos preços de algumas commodities brasileiras como café e cacau, que sofreram redução entre 50% e 86%, nos últimos 20 anos. Até lá não deveremos perder as esperanças de ampliar as conquistas obtidas na balança comercial, afinal, chega de esperanças frustradas.

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