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Opinião

Ensino superior: uma estrela que explodiu

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A luz de estrelas distantes demora milhares de anos para chegar até a Terra. Nesse sentido, quando uma estrela morre, continuamos vendo sua luz por muitos anos. Vejo o modelo educacional de ensino superior brasileiro como uma estrela morta, que deixou de existir, mas, por muitos anos, estará diante de nossos olhos. Um modelo que já, há alguns anos, demonstra sinais nítidos de esgotamento, entregando um produto pasteurizado, que representa mais do mesmo com pouca ou nenhuma originalidade, salvo raras exceções.

O segmento educacional sempre apresentou um delay significativo em relação ao mundo corporativo no que tange à adoção de novos métodos, processos e tecnologias. Sempre esteve atrás. Esse retardo vem desde Filosofias de Qualidade Total dos anos 80, passando pelas adaptações da Filosofia Lean, que se disseminou nos anos 90, pela ascensão do Design Thinking e dos Métodos Ágeis a partir dos anos 2000, até os mais recentes avanços do Big Data e da Inteligência Artificial. Também não podemos esquecer da Inovação Aberta e construção de ecossistemas de inovação. O fato é que não podemos resolver problemas complexos com a mesma lógica mecânica que os criaram e este impasse está nos impondo uma nova forma de pensar e agir. Recentemente, li um artigo de Felipe Ost Scherer, sócio fundador da empresa Innoscience, no qual ele alerta sobre um fenômeno muito recorrente que pode ser percebido em diversas empresas, chamado teatro da inovação. Segundo Scherer, nessas empresas, a aparência vem antes da essência. O autor cita sete sintomas clássicos do teatro da inovação, que me permito adaptá-los para o contexto educacional. São eles: Inovação desconectada da estratégia, falta de recursos para inovar, imagem acima de resultados, inovação como agenda pessoal de um executivo, projetos tímidos de inovação, ausência de políticas de inovação e uso de força política. Para se manter relevante no setor da educação, é preciso eliminar esses sintomas, trabalhando na criação de iniciativas que contribuam para o desenvolvimento socioeconômico. Em breve, seremos uma universidade - nos falta apenas uma etapa a ser cumprida -, mas não com o brilho de uma estrela morta, e sim, pujante, genuína e fiel ao propósito de transformar vidas, por meio de uma educação inovadora que gera prosperidade.

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