Opinião
VÍTIMAS OCULTAS
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A pandemia do novo coronavírus fez aumentar a vulnerabilidade de crianças e adolescentes no Brasil. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, durante esses dois anos, esse público, que são considerado as vítimas ocultas da crise sanitária, acumulou deficits de desenvolvimento que vão demorar vários anos para serem compensados.
Os especialistas alertam que algumas habilidades são de aquisição em cada época da vida, e ao não serem adquiridas na época certa trazem consequências para a vida toda. As crianças também tiveram dificuldade de aprendizado, dificuldades de aquisição e acesso a certas tecnologias, o que faz com que elas não aprendam de forma adequada, com efeito de longo prazo. Além disso, a pandemia aumentou a vulnerabilidade de milhares de famílias, deixando os jovens sem a rede proteção formada pela escola e pelos serviços de saúde. Durante a crise sanitária, todos os indicadores de vulnerabilidade social pioraram. O País também viu uma redução da violência urbana, mas um incremento da violência doméstica. O desemprego, por exemplo, disparou. Ao longo da crise do coronavírus, subiu 8,5 pontos percentuais para a parcela mais pobre da população. Enquanto os preços dos alimentos subiram quase 40%, colocando metade da população em insegurança alimentar. Pesquisa realizada pelo Instituto Alana, em parceria com a Universidade de São Paulo, mostrou que 13% das crianças deixaram de comer por não irem para escolas ou creches.
Outra questão que preocupa os especialistas é a subnotificação dos casos de violência. Pelo Disque 100, o percentual de denúncias de violência contra jovens e crianças diminuiu 10% de 2019 para 2020, mas a maioria desses casos de violência ocorreu dentro do ambiente familiar, o que foi agravado pela pandemia de Covid-19. Mais de 90% das denúncias é um adulto que faz, só 6% é uma criança ou um adolescente.
Os efeitos da pandemia ainda vão ser sentidos durante muito tempo nos diversos aspectos da vida do País. Crianças e adolescentes devem receber atenção especial para minimizar os traumas vividos nesses últimos dois anos.
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