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O Petróleo do Lobato

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O escritor Monteiro Lobato dizia que tudo é loucura ou sonho no começo - e não se deve duvidar que, por vezes, as duas possiblidades apareçam juntas num mesmo projeto. Em 1937, quando Lobato publicou O Poço do Visconde, a prospecção e exploração do petróleo no Brasil pareciam loucura, sonho, ou, no máximo, um bom tema de ficção infantojuvenil. Lobato decidiu denunciar, se não para os adultos, ao menos para os jovens, a quem interessava manter as amarras da dependência econômica dos brasileiros. “Até ali ninguém cuidara do petróleo porque nesta enorme área de oito e meio milhões de quilômetros quadrados, toda ela circundada pelos poços de petróleo das repúblicas vizinhas, aqui ele não existiria?”. Mas assim que rompeu o Caraminguá número 1, os negacionistas ficaram a murmurar uns para os outros: “Ora, veja! E não é que tínhamos petróleo mesmo?”.

Lobato, que morreu em 1948, não chegou a ver o petróleo posicionado no centro das definições da nossa vida política e econômica. Em 1951, porém, a defesa do monopólio da exploração do petróleo pelo Estado já tinha se transformado num dos maiores movimentos de opinião pública da nação. A Campanha do Petróleo, como o movimento ficou conhecido, assumiu o formato de grande mobilização cívica em defesa das riquezas nacionais e reuniu setores muito amplos da sociedade em torno da ideia de que o desenvolvimento autônomo do país dependia sobretudo da vontade política dos brasileiros. O tema penetrou fundo na sensibilidade política da população e contribuiu para amadurecer entre os brasileiros o sentimento de soberania nacional. Como se desejasse reafirmar sua própria grandeza cívica, esse foi um dos poucos movimentos de massas da história do país a abrigar um largo espectro de opções ideológicas, reunindo militares, comunistas, socialistas, católicos, trabalhistas e até udenistas, debaixo de uma só palavra de ordem, lançada pela União Nacional dos Estudantes (UNE): “O petróleo é nosso!”. A Petrobrás iniciou suas operações em janeiro de 1954, na condição de uma empresa estatal com o monopólio da prospecção e da exploração de petróleo. Atualmente, é uma empresa de economia mista poderosa e o petróleo continua um fator definidor da economia e da geopolítica mundiais, como se constata na guerra da Ucrânia e sempre que um sheik árabe fecha as torneiras. O petróleo ainda é indispensável para a estabilidade mundial e é facilmente manipulável, tornando a busca por fontes alternativas de energia limpas e renováveis uma necessidade impostergável. O presidente demitido da Petrobrás, general Silva e Luna, bateu todos os recordes e explicou para quem se interessar, que a Petrobrás não é um lugar para aventureiros, a lei não permite que se faça nela políticas públicas e muito menos políticas partidárias. Lobato, patrono do petróleo nacional e os idealistas que, conectados pelo refrão da UNE, bradavam “O petróleo é nosso!” concordariam.

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