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Nº 5716
Opinião

Provas da mis�ria

Antes de o século passado terminar, Alagoas já aparecia em vários estudos como o segundo Estado mais atrasado do País. Suas marcas da pobreza chegaram a ser comparadas às das regiões mais miseráveis dos países da África. Os fatores que contribuíram para

Por | Edição do dia 16/04/2002 - Matéria atualizada em 16/04/2002 às 00h00

Antes de o século passado terminar, Alagoas já aparecia em vários estudos como o segundo Estado mais atrasado do País. Suas marcas da pobreza chegaram a ser comparadas às das regiões mais miseráveis dos países da África. Os fatores que contribuíram para isso, como as altas taxas de analfabetismo e a miséria, continuam exigindo decisões mais eficazes a partir do governo federal. Os números que a nossa GAZETA trouxe, na edição de domingo último, relacionados às crianças que continuam sem o principal documento de cidadania, o registro de nascimento, são conseqüências desses e outros problemas causados pela falta de prioridades para o social, ao longo de muitos anos. Informa a matéria produzida pela equipe da nossa sucursal em Arapiraca que, no ano passado, mais de 50% das mães que procuraram o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Mata Grande, em busca do auxílio-maternidade, tiveram dificuldades para receber o benefício por não terem os documentos dos filhos. E que houve casos de pais e mães que sequer têm suas próprias certidões de nascimento. A mesma reportagem mostra também que o fato não é privilégio daquele município, uma vez que nos demais espalhados pela região do Sertão muitas pessoas não dispõem sequer do dinheiro suficiente para pagar ao menos pelo registro de nascimento e desconhecem os caminhos para consegui-lo gratuitamente. E quando conseguem é porque recorrem aos políticos. Nas demais áreas do Estado, bem como de todo o Nordeste e nas demais regiões do País, incluindo as mais ricas, há esses e outros efeitos do empobrecimento, da instrução e informações precárias de considerável parcela da população. Sabemos que os números são mais preocupantes no meio rural, mormente nos Estados menos de-senvolvidos do País, onde a maioria das pessoas que trabalham não tem uma ocupação regular, boa parte dos chefes de famílias nunca foi a uma escola e recebe menos de um salário mínimo ou vive de “bicos”. A citada matéria deve servir para ajudar nos estudos das instituições governamentais e não governamentais voltadas para o combate a essas e tantas outras evidências das desigualdades crescentes no País.

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