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Opinião

Cen�rios econ�micos

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Por mais que as autoridades econômicas repitam que os fundamentos de nossa economia estão sólidos, que estamos percorrendo um caminho virtuoso, que a retomada do crescimento é para valer, dentre outras afirmações otimistas, a realidade não é bem assim. Poderá até vir a ser ? se os investidores externos se comportarem como quer o governo. E que comportamento é esse? É o de que depois do anúncio do aumento da taxa básica de juros nos Estados Unidos, os investidores externos não transfiram suas aplicações de curto prazo para lá, atraídos pelo aumento da rentabilidade (ainda que inferior àquela dos papéis brasileiros) e, principalmente, pela segurança dos títulos americanos. Se os investidores reagirem da forma como deseja o governo, o Brasil não terá muitos problemas. Mas e se a reação for diversa da esperada e provocar uma eventual fuga de capitais? Nesse caso, o País não dispõe de nenhum mecanismo que possa controlar a retirada desses recursos, como fez o Chile, paradigma de país de sucesso do pensamento econômico ortodoxo. As nossas autoridades econômicas têm sido ?mais realistas que o rei?. Por iniciativa própria, aumentaram a meta do superávit primário para sinalizar ao mercado fidelidade canina com a austeridade fiscal, e agem no momento como se fosse suprema heresia estabelecer qualquer tipo de controle sobre a movimentação de capitais, sob o argumento de que afastaria os investidores. O cenário internacional, no entanto, já não é o mesmo. Em janeiro, o governo brasileiro fez uma emissão de papéis no valor de US$ 1,5 bilhão, com prazo de vencimento de 30 anos, e juros de 8,75% ao ano. Agora em junho, foi obrigado a oferecer papéis com taxa de juros pós-fixada, o que não acontecia desde 1994, com vencimento num prazo bem inferior, de cinco anos. Alia-se à mudança no cenário internacional a falta de perspectivas reais de crescimento econômico vigoroso nos próximos anos (em nenhum momento, o governo apresentou um plano inequívoco de desenvolvimento econômico de longo prazo) que começa a ganhar corpo entre os empresários que, temerosos, adiam os investimentos necessários para modernizar e aumentar a capacidade de produção. E nesses cenários, os riscos estão aumentando, e muito. Só resta investir na esperança pura.

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