Opinião
SINAIS PREOCUPANTES
.
Além do atraso na aprendizagem, a pandemia do novo coronavírus parece ter causado outros graves efeitos colaterais entre os estudantes: o aumento da ansiedade e da agressividade. Na semana passada, 26 alunos da Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Ageu Magalhães, em Casa Amarela, Zona Norte do Recife, passaram mal, com falta de ar, tremor e crise de choro.
Em São Paulo, dados da Secretaria da Educação, nos dois primeiros meses de aula deste ano, mostram que foram registrados 4.021 casos de agressões físicas nas unidades estaduais –48,5% a mais que no mesmo período de 2019, último ano em que os alunos frequentaram as aulas presenciais todos os dias. Em média, são 108 ocorrências apenas de agressão física a cada dia letivo nas quase 5.000 escolas da rede de ensino paulista. Houve ainda aumento de 225% nas ocorrências de ação violenta provocadas por grupos ou gangues nas escolas. Até o último dia 24, foram 221 registros do tipo neste ano, contra 68 no mesmo período de 2019. Também houve crescimento de 52% de ocorrências de ameaça e de 77% de casos de bullying nas escolas estaduais em relação a 2019. Ainda que não haja dados oficiais sobre o aumento da violência em escolas particulares, professores e especialistas da área relatam também perceber maior agressividade e problemas de convivência entre alunos. Para eles, o aumento da agressividade é consequência do afastamento das crianças e adolescentes da escola nos últimos dois anos e dos problemas que enfrentaram em casa nesse período. Um mapeamento feito pelo Instituto Ayrton Senna mostrou que mais de 60% dos alunos, de 642 mil ouvidos, relatam ter sentido uma piora na tolerância ao estresse. Mais de 50% deles também disseram se sentir menos focados. Especialistas alertam que os profissionais da educação precisam estar atentas a esses casos, para identificar sinais de estudantes em sofrimento, que possam ter ideações suicidas ou que possam oferecer risco aos demais. Se para os adultos, os dois anos de pandemia foram um período complicado, para os jovens ainda mais. É preciso um olhar mais atento de pais e professores.