Opinião
Mercado ambiental
O recente contencioso envolvendo a exportação de soja para a China trouxe à tona as normas internacionais cada vez mais rígidas para produtos agrícolas e alimentares. Muitos quiseram enxergar no episódio uma manobra chinesa para forçar a queda do preço do produto no mercado internacional. Ainda que assim fosse, a decisão foi tomada com base em irregularidades admitidas pelas próprias autoridades brasileiras. No entanto, permanece a visão de boa parte das autoridades públicas e dos empresários, de que a legislação brasileira de preservação do meio ambiente atrapalha ou retarda o desenvolvimento, o que em parte se deve a um radicalismo ambiental do tipo fundamentalista que virou moda em boa parte do mundo. Preconceitos postos ao lado, é importante reconhecer a extensão dos danos ambientais causados por quem não levou essa questão em consideração, os recursos destinados a recuperar o ambiente degradado (quando possível), além dos problemas de saúde pública e da ocorrência de tragédias (como inundações, por exemplo). É naturalmente fundamental também compreender que o item ecologia & saúde está solidamente incorporado aos mercados capitalistas mais desejáveis em todo o mundo. Nesse universo, é justo reconhecer que está havendo entre os empresários alagoanos uma nova abordagem sobre o papel do meio ambiente. Já não vale a pena implementar uma industrialização a qualquer preço. As decisões empresariais contemporâneas buscam formas de manter o desenvolvimento sustentável dos negócios e, em Alagoas, têm se destacado empresas distinguidas por prêmios a nível nacional por suas políticas ambientais. Entidades não-governamentais como o Instituto para a Preservação da Mata Atlântica (Ipma) têm logrado êxitos notáveis. No caso do Ipma, fundado e sediado em Alagoas, seu sucesso extrapolou os limites estaduais e hoje orienta empresas de todo o Nordeste em políticas de recuperação e preservação ambiental. Exemplos como o do Ipma e casos como os das barreiras internacionais encontradas pelos produtos brasileiros reforçam a necessidade de serem ampliadas as políticas que buscam harmonizar tecnologia, produção em escala e respeito ao meio ambiente. Nos dias de hoje, estar de bem com a ecologia é estar de bem com os negócios.