Opinião
O Papa e a Páscoa
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Quem está a salvo das fake news que abarrotam as redes sociais? Os italianos Nello Scavo e Roberto Baretta lançaram um livro demonstrando que ninguém está. O título do livro é inesperado: ‘Fake Pope’. A capa mostra um super-papa a voar como se fosse um Super-Homem, com o punho cerrado para bater em alguém. Olha-se para a editora e estranha-se o nome, Paulinas. Uma editora de cariz católico. É preciso ler o subtítulo para ver que não é uma patranha para satirizar Francisco como pode se pensar à primeira vista. Os autores são jornalistas especialistas em assuntos religiosos e publicaram várias obras de investigação e ensaísticas. Quanto ao inesperado título, ‘Fake Pope’ , os autores justificam-no de forma clara: “Não é uma obra apologética”. Consideram que o Papa “pode ser criticado e em certos casos até o deve ser”. Nenhum deles acredita na “infalibilidade pontifícia”, mas respeitam a religião.
O que Nello Scavo e Roberto Baretta pretendem com ‘Fake Pope’ é mostrar que “circulam falsas acusações contra o Papa Francisco”, sendo algumas delas “completamente inventadas”, outras “claramente instrumentais” e “algumas que se podem refutar por se contradizerem”. Os autores avisam que este Papa não é o primeiro a ser atacado, declarando que não pretendem sequer ter “comiseração pelo Santo Padre”, mas não lhes foi possível passar ao lado de “comentários que circulam sobre ele que ultrapassam os limites da decência e da lei”. Entre os capítulos estão situações que envolvem o sentimento ecológico do Papa, o maçom perfeito, a roupa suja da pedofilia, a situação dos migrantes, a ideologia de gênero, o Papa socialista, o antipapa, os palavrões do Santo Padre, tudo com intenção de difamação papal…. O que os autores pretendem é mostrar “o fio lógico entre as notícias a fim de se entender que alguns boatos nascem de maneira espontânea, mas outros são fruto de uma estratégia bem precisa para desacreditar o Pontífice.” É dessa estratégia que os autores tratam. Exemplo 1: o espalhafatoso cineasta Michael Moore colocou no Twitter uma fotografia do Papa Francisco dando a comunhão ao general Videla, “o chefe dos ditadores carniceiros argentinos”. Comprovou-se que a foto tinha sido manipulada, a comunhão foi dada por outro sacerdote, e o cineasta teve que apagar a postagem e pedir desculpas públicas ao Papa. Ex. 2: a questão da orientação sexual também é rica em exemplos, como o da frase que o Papa teria dito - “Quem sou eu para julgar um homossexual?” Na realidade, a afirmação era maior:” se uma pessoa é gay, procura o Senhor e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?”. A teoria da conspiração muitas vezes é-lhe atribuída, como acusá-lo de querer mudar o catolicismo secretamente quando na verdade o Papa atua muito às claras, pelejando pela paz na Ucrânia, protegendo os imigrantes, aproximando religiões antagônicas, solidarizando-se com os despossuídos. Na Páscoa, os que repetem exaustivamente João 8:32: “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”, mas abusam das fake news, precisam renovar os bons sentimentos nos seus corações e respeitar o que alardeiam: “Salve Francisco!”