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Opinião

Sem reformas

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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é tido e havido como reformista. Havia o temor durante um certo período da eleição presidencial que o candidato pudesse ser ?reformista demais? ou qualquer coisa que isso possa significar. O Partido dos Trabalhadores, em longa reportagem de uma conhecida revista semanal naquele período, foi mostrado como um organismo à mercê dos radicais da legenda. O medo só se dissipou quando o então candidato, em audiência com o presidente FHC, aceitou os termos do acordo com o Fundo Monetário Internacional, antecipando a limitação de supostas reformas em seu governo. Essa garantia de continuidade da política econômica deixou claro que aos radicais sobraria apenas o comando da voz, no máximo. Nesse fundamental setor para o qual não há reformas previstas os números continuam eloqüentes. Nos últimos 10 anos o lucro dos dez maiores bancos instalados no país teve crescimento de mais de 1.000%. Em compensação, o crédito disponível que em 1994 chegava a 35,5% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2003 havia se reduzido para 24,8%. Em 1994 os lucros das instituições financeiras que formam hoje os 10 maiores bancos instalados no país chegaram a R$ 1.279 bilhão. A concentração ?banqueira? provocou também o aumento das receitas obtidas através da cobrança de tarifas dos serviços bancários: enquanto em 1994 as receitas daí provenientes haviam sido de R$ 4,198 bilhões, no ano passado atingiram a cifra de R$ 27,697 bilhões. O estímulo à concentração bancária se baseou, nos primórdios dessa operação, na justificativa de que seria ampliado o crédito, barateando as tarifas bancárias com a queda dos custos obtidos através dos ganhos em escala, assim aumentando a eficiência dos serviços com sua automação. Nada disso aconteceu, e como o atual governo continua mantendo a taxa Selic elevada (para alegria dos bancos) continua sendo opção preferencial dos investidores banqueiros a aplicação em títulos do governo (que são relativamente mais seguros) do que realizar empréstimos. E tudo segue como antes...

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