Opinião
Vieses que ocultam talentos
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Junia Maria Galvão. Diretora-executiva de Administração e Desenvolvimento Humano da MRV
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22/04/2022 às 4h00
É muito comum as pessoas presumirem que não são aptas para exercer certas funções com base em meros pré-julgamentos, quase sempre resultantes de vieses inconscientes. Quando se trata de profissão, aliás, é muito instintivo lembrarmos daqueles ‘antigos ensinamentos’ que nos faziam crer que: “isso é coisa para homem”; “isso é coisa para mulher”. Dessa forma eram ditados os padrões de comportamento considerados ‘desejáveis’ à época.
Esse tempo, ainda bem, já passou. Mas é certo, os vieses permanecem arraigados em nossas mentes e, no contexto atual, são altamente nocivos à geração de empregos e à promoção da diversidade no mercado de trabalho.
Um exemplo emblemático está na construção civil, um dos setores que mais emprega trabalhadores em todo o País, 2,48 milhões de pessoas no Brasil (IBGE/set. 2021). Os dados oficiais mais recentes apontam que as mulheres representam apenas 9,9% da força de trabalho do segmento. Como representante do segmento há quase 20 anos e atualmente diretora-executiva da maior empresa da construção da América Latina, posso afirmar que há uma enorme disposição em valorizar a contratação de mão-de-obra feminina. As empresas reconhecem a necessidade de melhor estruturar suas relações sociais, em busca de um ambiente mais plural e diverso.
Essa disposição, no entanto, muitas vezes esbarra nesses vieses que dificultam a promoção de um ambiente mais equânime. Nesse sentido, o trabalho realizado por algumas organizações do terceiro setor, como a ONG Mulheres em Construção, tem sido fundamental para reverter esse quadro. Apenas por meio dessa entidade, mais de 5 mil mulheres já receberam formação para atuar em diversas áreas da construção, através de cursos e oficinas gratuitas. Outro exemplo é o projeto ‘Mulheres Positivas’, que tem auxiliado muitas empresas a ampliarem a presença feminina em seus quadros por meio de um aplicativo.
Nesses casos, além da questão da empregabilidade, existe um senso de acolhimento. Esse suporte é fundamental para que sejam quebrados os estigmas aqui abordados e para que haja maior compreensão acerca da importância da diversidade.
É claro que o engajamento por parte das companhias também se faz necessário. Só que esse caminho, como vimos aqui, não pode ser solitário! Deve ser trilhado com o máximo sinergia, tendo apoio da sociedade civil organizada, governos e todos os demais que estejam dispostos a somar em favor da causa. Bons exemplos, já temos. Precisamos darmos as mãos e fortalecer cada vez mais esse movimento.