Opinião
TRAGÉDIA EM LARGA ESCALA
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No último domingo, completaram-se dois meses desde que a Rússia iniciou o que chamou de “operação militar especial”, na prática uma invasão, alegando a necessidade de uma desmilitarização e “desnazificação” do país vizinho. Nesse período, as forças russas ocuparam as regiões sul e leste da Ucrânia e estabeleceu um cerco à capital Kiev, com intensos combates.
Desde que começou, russa da Ucrânia provocou uma tragédia humanitária em larga escala. São milhares de vidas perdidas, milhões de pessoas obrigadas a fugir e uma catástrofe econômica que atinge o mundo inteiro. Até agora, o conflito já custou a vida de 1.500 civis ucranianos e resultou em mais de 4,2 milhões de refugiados. A Rússia reconheceu 1.351 mortos, enquanto a contagem da Ucrânia está entre 2,5 mil e 3 mil baixas. Enquanto isso, os reflexos econômicos podem ser visto no aumento de preços das commodities e ainda mais persistente a alta inflação pelo mundo, que já estava elevada devido efeitos da pandemia do coronavírus. A elevação do preço do petróleo gerou uma reação em cadeia, aumentando também os custos de produção, que foram repassados ao consumidor. No Brasil, a inflação atinge patamares que pareciam uma realidade distante dos tempos pré-Plano Real, anulando boa parte das conquistas obtidas a partir da estabilidade econômica. A guerra na Ucrânia não é, entretanto, a única em andamento no mundo. Em 2022, pelo menos 28 países apresentam conflitos ativos ou algum combate armado, segundo levantamento do Projeto de Dados de Localização e Eventos de Conflitos Armados. Ásia e África, além do Oriente Médio, também registram guerras civis extensas e sangrentas. Entre os piores conflitos em andamento no mundo está o do Iêmen, que já matou mais de 230 mil pessoas e é considerado pela ONU “a maior tragédia humanitária do mundo”. O mundo vive hoje uma tragédia em todos os sentidos, e a comunidade internacional parece impotente para pôr fim ao conflito. Ainda ressoa o apelo angustiado do papa Francisco, no último domingo de Páscoa, pela paz na guerra “sem sentido”. Infelizmente, a paz ainda não parece surgir no horizonte.