Opinião
Temos emprego?
Foi motivo de comemoração, dentro do governo, o resultado da Pesquisa Mensal de Emprego, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo esses festejados números, a taxa de desemprego no Brasil caiu de 13,1% em abril para 12,2% em maio. O ministro do Trabalho mostrou convicção de que o nível de emprego tanto no setor formal como no informal já estaria ?em um patamar suficiente para iniciar a redução da taxa de desemprego?. Apesar da euforia do governo, os próprios técnicos do IBGE ressaltaram ser ainda cedo para se considerar tal índice de queda na taxa do desemprego como uma tendência dos próximos levantamentos, em virtude de ter havido redução na procura por trabalho em maio, o que influenciou no resultado da pesquisa. Os técnicos acreditam que em junho os que desistiram de procurar emprego voltem a fazê-lo, o que provocará novamente um aumento na taxa de desemprego. Apenas a partir de julho é que haveria condições de apontar uma tendência. Até lá, o resultado de maio ?pode ser indício de uma recuperação do mercado, ou apenas um soluço?. De todo modo, o bom desempenho do mercado de trabalho em maio ficou concentrado na região metropolitana de São Paulo (responsável pela criação de 120 mil das 148 mil novas vagas) e no setor exportador, que alguns consideram estar no limite, o que pode comprometer a continuidade da ampliação da oferta de postos de trabalho, pois a economia brasileira, nos primeiros meses de 2004, tem mostrado sinais dúbios: apesar do desempenho positivo do emprego em maio, houve queda no rendimento médio do trabalhador pelo 15o mês consecutivo?. Existe quem analise que a taxa de desemprego tenderia a se estabilizar num patamar mais elevado do que desejaria o governo. Nesse cenário, o desempenho da atividade industrial estaria subordinada ao comportamento da taxa básica de juros (Selic): apresentaria variações positivas, negativas ou estáveis, quando o BC baixa os juros ou os mantém inalterados, como nos últimos meses. Por essa opinião, para comemorar (de verdade) o governo terá de colaborar (de fato) e apostar em incentivos práticos para o reaquecimento da economia, como baixar a taxa de juros. No mais, apenas soluços.