Opinião
AUTODESTRUIÇÃO
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Relatório divulgado ontem pela Organização das Nações Unidas traz uma alerta seriíssimo: em um curto período de tempo, o mundo assistiu a um aumento sem precedentes do número de catástrofes naturais, e a ação humana pode piorar ainda mais o cenário.
Nas últimas duas décadas, entre 350 e 500 médios a grandes desastres foram registrados por ano, mas os governos estão “fundamentalmente” subestimando seu verdadeiro impacto, de acordo com o relatório. Os eventos vão de queimadas e enchentes à pandemias e acidentes químicos. Segundo a ONU, as mudanças climáticas, que resultam em eventos climáticos mais extremos, são a principal causa do aumento das ocorrências. E o que é mais grave: os governos não fazem o suficiente para melhorar o gerenciamento de risco de desastres, o que deixa a humanidade amplamente despreparada para o que está por vir. Há custos humanos e econômicos, e quem mais sofre são os países de renda baixa e média. O fato é que o aquecimento global está aumentando mais rapidamente do que o esperado, e a ONU mais uma vez volta a pedir uma ação maciça e concreta para reduzir as causas do impacto climático do planeta.
Com o aumento de eventos climáticos extremos como enchentes, chuvas em abundância e seca, o debate acerca do aquecimento global torna-se cada vez mais necessário e urgente. Mais uma vez as Nações Unidas advertem as instituições nacionais e internacionais sobre a alta possibilidade do aumento na frequência de desastres ambientais. Se nada for feito, os cientistas acreditam que o aquecimento global levará a ondas de calor devastadoras, elevação do nível do mar e perda irreversível de espécies vegetais e animais. Para a ONU, a humanidade vive um “espiral de autodestruição” que precisa ser parado imediatamente, pois o risco é de não poder voltar atrás. O Brasil, por sua tradição na luta em defesa do meio ambiente, precisa retomar esse papel, iniciado na grande conferência do clima realizada em 1992. Foi ali que o Brasil deixou para trás seu perfil defensivo e refratário ao debate ambiental para ser um país de grande protagonismo internacional em questões ambientais.