Opinião
FIM DA EXCLUSÃO DIGITAL
.
O Senado aprovou ontem a Medida Provisória que cria o Programa Internet Brasil. A iniciativa prevê o acesso gratuito à internet em banda larga móvel aos estudantes da educação básica da rede pública de ensino de famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico).
A implantação do programa deve ocorrer de forma gradual, a depender da disponibilidade de recursos, dos requisitos técnicos para a oferta do serviço, dentre outras necessidades definidas pelo ministério. Serão distribuídos chips, pacote de dados ou dispositivo de acesso aos estudantes, principalmente celulares. Não é de hoje que internet garante muitos benefícios no âmbito escolar, tanto para os professores quanto para os alunos. Para além da educação formal, possibilita que as crianças e adolescentes tenham acesso a uma ampla variedade de conhecimentos, jogos e conteúdos educativos, sendo complementares à sua educação formal. Durante a pandemia, foi a principal ferramenta para evitar que os estudantes ficassem totalmente sem aula. O problema é que, de acordo com levantamento do IBGE, metade dos alunos de 15 a 17 anos matriculados na rede pública de ensino não possuíam equipamentos ou acesso à internet para acompanhar as aulas remotas durante a pandemia. Com a adoção das aulas online, foi possível notar as desigualdades de acesso à tecnologia País. Segundo o IBGE, apenas 54% dos estudantes possuíam computador ou notebook e acesso à internet em casa durante as aulas remotas, e o percentual é ainda menos quando se leva em conta apenas os alunos da rede pública. Além disso, muitas escolas também não oferecem essa ferramenta a seus alunos, ou oferecem de forma precária. No mundo atual, a exclusão digital acaba privando os estudantes de maior acesso à informação e maior conexão com as novas realidades. O projeto, portanto, é oportuno e necessário. É preciso adotar políticas públicas para reduzir a desigualdade em termos de inclusão digital. Ampliar o acesso à internet nas escolas é urgente, mas não basta apenas ter os equipamentos e o sinal. Também é necessário que os professores sejam capacitados para lidar com as novas ferramentas digitais.