loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
segunda-feira, 03/08/2026 | Ano | Nº 6280
Maceió, AL
26° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

POR TRÁS DA PROPAGANDA

.

Ouvir
Compartilhar

Nos últimos anos, os alagoanos foram inundados com muitas peças publicitárias mostrando supostos avanços obtidos pela gestão anterior do governo do Estado. Uma área que ganhou bastante destaque na propaganda oficial foi a da segurança pública. O governo anterior alardeou a redução dos índices de violência e divulgou à exaustão operações caras e espetaculosas, que contaram com uso até de helicóptero.

Entretanto, por trás de toda essa propaganda, há uma realidade muito cruel. Como mostra reportagem publicada na edição deste fim de semana da Gazeta de Alagoas, a capital alagoana vive um clima de guerra entre facções criminosas. O domínio de seus integrantes em bairros como Jacintinho, Levada, Vergel, Clima Bom, Rosane Collor e no Complexo Habitacional Benedito Bentes perdura com mais crueldade, tribunal do tráfico, toques de recolher e execuções sumárias. Para controlar o tráfico de drogas nas periferias e região metropolitana os criminosos não medem esforços. Conseguem comandar, inclusive, de dentro do presídio operações de tomada de áreas, aumento de distribuição e a morte de desafetos. A Gazeta apurou que, nas unidades prisionais alagoanas, as facções dominam espaços que influenciam diretamente no funcionamento das penitenciárias, e seus líderes conseguem comandar operações externas mesmo estando encarcerados. Os próprios profissionais da segurança pública reconhecem que o Estado não está preparado para combater esse problema. Segundo policiais ouvidos pela Gazeta, é preciso um aparato maior, com investimento em investimentos em inteligência para identificar e neutralizar os cabeças desses grupos criminosos, caso contrário a polícia ficará eternamente enxugando gelo. Também não se pode esquecer a questão social. O crime organizado ocupa o vácuo deixado pelo poder público nas áreas mais vulneráveis das grandes cidades. Por isso, o Estado deveria levar ações de educação, saúde, cultura, esporte e lazer voltadas sobretudo para os mais jovens, para evitar que eles sejam cooptados pelas facções. Somente o combate à criminalidade por meio de forças policiais bem treinadas, equipadas e valorizadas, combinado com uma política social mais abrangente e efetiva, pode, de fato, mudar essa realidade, que não pode ser maquiada por muito tempo.

Relacionadas