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Opinião

ECOS DA ESCRAVIDÃO

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Por Editorial | Edição do dia 13/05/2022 - Matéria atualizada em 12/05/2022 às 22h53

Há 134 anos, chegava ao fim, pelo menos oficialmente, a escravidão no Brasil. A assinatura da chamada Lei Áurea pela princesa Isabel encerrou uma batalha legislativa iniciada na década anterior. Apesar do destaque dado ao ato da princesa, que chegou a receber o título de “A Redentora”, alguns estudiosos ressaltam que a Lei Áurea foi resultado de uma grande mobilização nacional que reuniu políticos, jornalistas, advogados, intelectuais, estudantes e escravos libertos.

Não foi uma batalha fácil. A causa da abolição enfrentou a resistência dos representantes dos proprietários de escravos e trouxe consequências também para o próprio império, que perder o apoio dos grandes fazendeiros, uma das colunas de sustentação política do governo. Atualmente, o movimento negro vê a com muitas ressalvas a comemoração do 13 de maio e dão preferência ao 20 de novembro, dia da morte de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, marco da resistência à escravidão. Entidades negras lembram que, com a Lei Áurea, os escravos foram libertados, mas não receberam condições para se tornar cidadãos plenos. A maioria permaneceu em sua condição subalterna. Até os documentos relacionados à escravidão foram queimados, como se fosse possível apagar essa chaga da história do País. Mais de um século depois, essa realidade persiste. A população negra brasileira ainda enfrenta um abismo de desigualdade. Os negros são as maiores vítimas da violência e os que sofrem mais com a pobreza. Têm pouca representatividade nas esferas políticas e renda média muito menor que a dos brancos. Há ainda a questão do preconceito e do racismo, que, no Brasil geralmente ocorre de forma velada. Discussões à parte, não há como negar que o 13 de maio é uma data muito significativa e deve servir para reflexão. A extinção oficial da escravidão não fez com que ela deixasse de existir no Brasil. A cada ano, milhares de trabalhadores pobres – negros e brancos – são recrutados para trabalhar em fazendas, carvoarias, canteiros de obras e oficinas de costura e, posteriormente, submetidos a condições degradantes de serviço ou impedidos de romper a relação com o empregador. Estes ainda esperam que a Lei Áurea entre em vigor.

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