Opinião
O rel�mpago e a tartaruga
Seqüestro relâmpago ? eis a empreendimento que mais cresce em Alagoas. Segundo dados da polícia alagoana, a incidência desse delito tem chegado à assustadora conta de 25 ocorrências por mês; quase um por dia! Pelos dados da polícia, a média era de dois seqüestros relâmpagos por mês em 2001. Em 2004 esse número está multiplicado por mais uma dúzia de vezes, cravando o impressionante índice de 1.250% de aumento em apenas três anos e meio. A modalidade está tão na moda que além de ser usada com fins ?produtivos? (retendo a vítima para amealhar mais dinheiro) é também praticada como diversão sádica para os bandidos (como no caso do seqüestro do estudante Lucas depois de ter sido assaltado). São evidências inegáveis de quanto está crescendo o crime em Alagoas e, particularmente, em Maceió. As gangues multiplicam-se e ganham a cada dia mais ousadia, usam mais tecnologia, apelam para cada vez mais violência em suas ações. O sentimento é de que a sociedade, ordeira e pacífica, está refém de um conglomerado de quadrilhas. A polícia tem os números que comprovam a veracidade desse sentimento de orfandade frente a um Estado inerte, inerme. Seria ideal complementar essa estatística com dados que esclarecessem quantos desses casos foram solucionados, quantos e quais marginais foram indiciados por esses crimes, quantas quadrilhas foram desbaratadas... A inexistência ou indigência de tais dados reforça a sensação de impunidade a fortalecer esses grupos de marginais. A quem pedir socorro? O relâmpago é um sinônimo de velocidade e os livros escolares explicam que enxergamos primeiro o raio em função da velocidade da luz; o som, com velocidade bem menor, oferece o estrondo do trovão algum tempo depois do fulgor da descarga do raio. Podemos comparar o relâmpago com a ação dos bandidos e o trovão com a reação da polícia? Certamente que não, pois estamos vendo e sofrendo as descargas dos raios da bandidagem, mas não há trovejar da polícia nem tempos depois do relampejar. É o silêncio mortal da máquina do Estado que deveria estrondar em defesa do cidadão. Talvez fosse mais correto uma comparação entre o relâmpago e a tartaruga.