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Opinião

VIOLÊNCIA ENRAIZADA

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Por Editorial | Edição do dia 14/05/2022 - Matéria atualizada em 14/05/2022 às 01h24

Em 2021, houve no Brasil, pelo menos 316 mortes violentas de pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e pessoas intersexo (LGBTI+). Esse número representa um aumento de 33,3% em relação ao ano anterior, quando foram 237 mortes.

Os dados constam do Dossiê de Mortes e Violências contra LGBTI+ no Brasil. Com 16 casos, Alagoas é o estado mais violento, proporcionalmente, no Brasil para população desse grupo. Entre os crimes ocorridos no ano passado, 262 foram homicídios (o que corresponde a 82,91% dos casos), 26 suicídios (8,23%), 23 latrocínios (7,28%) e 5 mortes por outras causas (1,58%).

Para especialistas, apesar de esse número já representar a grande perda de pessoas, apenas por sua identidade de gênero e/ou orientação sexual, há indícios de que esses dados ainda são subnotificados no Brasil. Como o levantamento depende do reconhecimento da identidade de gênero e da orientação sexual das vítimas pelos veículos que reportam as mortes, muitos casos de violências praticadas contra pessoas LGBTI+ acabam não entrando na contabilização. Os dois grupos que sofreram mais violência, reunindo 90,5% dos casos, foram os homens gays (45,89%), com um total de 145 mortes; e as travestis e mulheres trans (44,62%), com 141 mortes. As mulheres lésbicas representam 3,80% das mortes (12 casos); os homens trans e pessoas transmasculinas somam 2,53% dos casos (oito mortes). Pessoas bissexuais (0,95%) e pessoas identificadas como outros segmentos (0,95%) tiveram 3 mortes cada grupo. Houve quatro pessoas cuja orientação sexual ou identidade de gênero não foi identificado, representando 1,27% do total, com 4 casos. A avaliação das entidades que fizeram o levantamento é que o cenário geral de violência contra a população LGBTI+ pouco mudou em relação a medidas efetivas de enfrentamento da LGBTIfobia por parte do Estado. Apesar das conquistas consideráveis obtidas com o Judiciário, ainda falta uma ação maior por parte dos demais poderes. Enquanto isso, o País vê crescer o número de vítimas. Isso mostra que a LGBTIfobia que permanece enraizada em toda a sociedade.

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