Opinião
Tema paralisante
?Parou por quê? Por que parou?? ? Paralisação foi a tônica do noticiário político nacional no início desta semana e teve origem imediata em declarações do ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, que reclamou da burocracia do próprio governo que integra, insinuando que o Brasil estaria parado ou parando. O virtual primeiro-ministro José Dirceu se dedicou a contestar isso em um longo discurso de uma hora e meia no Palácio do Planalto. Antes dessa longa intervenção, o ministro da Casa Civil já havia se demorado sobre o mesmo tema durante entrevista no programa Bom Dia, Brasil. Diz Dirceu que o ?executivo não está paralisado? e que ?o Brasil vive um bom momento? e novamente comparou números do atual governo com resultados da dupla gestão de FHC. O tema promete longa polêmica, até porque ? do ponto de vista filosófico e até mesmo físico ? o movimento pode ser visto de maneira diferente a partir da posição do observador. Assim, o Brasil está e não está paralisado, ao mesmo tempo. Comparando o governo Lula com a gestão FHC, do ponto de vista macroeconômico, quase nada mudou. As políticas econômica e financeira implementadas a ferro e fogo continuam as mesmas numa e noutra gestão. O tempo parece ter parado no Banco Central e nos demais órgãos que controlam a economia brasileira. Vendo a questão do ponto de vista da esmagadora maioria que paga impostos, a coisa não só não parou como cresceu enormemente. A fera tributária segue no mesmo caminho para o qual foi adestrada pelos treinadores de monstros de FHC, só que hoje abocanha ainda mais, com a carga tributária alcançando a impressionante marca de 40% do Produto Interno Bruto. Uma brutalidade literal. Desta forma, a questão não pode ser resumida no ?Parou por quê? Por que parou??. Talvez fique melhor formulada como ?Parou para quem??. Para os privilegiados especuladores nacionais e internacionais que têm mamado nas tetas dessa política ?de estabilidade financeira?, o Brasil não parou, pelo contrário ? a agiotagem em larguíssima escala só tem aumentado de velocidade e intensidade. Para os que sonham e apostam no desenvolvimento ? sejam empresários desejosos de realizarem empreendimentos produtivos, sejam cidadãos e cidadãs em busca de um posto de trabalho ? o Brasil parou, ou pior, parece estar em marcha à ré.