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Opinião

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A recente suspensão da importação de soja brasileira pela China, sob o argumento da contaminação do produto com sementes tratadas com fungicida, mostrou como é difícil estabelecer uma aliança entre os países emergentes para fazer frente aos países reunidos no denominado G7. Agora é a vez da Argentina, principal parceiro do Brasil no Mercosul, de estabelecer restrições aos eletrodomésticos brasileiros. Antes de qualquer coisa, é preciso que se esclareça que a busca por relações especiais com determinados países ou blocos faz parte da estratégia diplomática de qualquer país que almeje um papel mais influente no cenário mundial. Não é nada fácil, porém, conciliar interesses de países que, na maioria das vezes, têm como principal pauta de exportação commodities ou produtos industriais de pequeno valor agregado. Também há que se levar em conta as políticas internas de desenvolvimento econômico. A Argentina reclama que a exportação de produtos da ?linha branca? (geladeira, fogões, televisores, máquinas de lavar, microondas) põe em risco a sobrevivência da indústria portenha do setor de eletrodomésticos. Os argentinos manifestaram também preocupação com as crescentes exportações brasileiras como têxteis, calçados e autopeças, dentre outros. Ao Brasil, tanto no caso chinês como no argentino, interessa manter uma relação cordial com dois parceiros importantes numa estratégia de ampliação de suas exportações e de obter maior peso político nas contendas internacionais, sejam elas comerciais ou políticas. Contudo, nesse delicado quadro das relações entre países que buscam, em certo sentido, ocupar o mesmo espaço, convém não perder de vista os interesses nacionais próprios. Firmeza e flexibilidade. Eis o caminho para defender os interesses brasileiros, o que, no caso, significa não comprometer o desempenho de nossas exportações com concessões em troca de nossas veleidades no campo internacional. Especificamente quanto a Argentina, seu notável crescimento no primeiro trimestre deste ano (11%) tem influenciado fortemente o desempenho do setor industrial brasileiro.

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