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Opinião

A palavra

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Por MILTON HÊNIO - médico e membro do Conselho Estratégico da Organização Arnon de Mello | Edição do dia 21/05/2022 - Matéria atualizada em 21/05/2022 às 02h57

Já estamos próximo das eleições e desta vez, mais do que nunca, os candidatos terão que usar, além do dinheiro tão falado, uma força poderosa que irá influenciar em muito o resultado das urnas - sua palavra. Terão que mostrar ao eleitor seus objetivos, seus planos de trabalho para que sejam julgados e escolhidos.

Na longa esteira do tempo, a força verbal da palavra tem sido a arma mais poderosa de conquista no domínio do espírito humano. Com seu poder ganhou batalhas e construiu impérios; foi a semente de cujas raízes prosperaram o ideal democrático e os direitos individuais do homem. É bíblico: a palavra é tudo e tudo pode. Foi ela a gênese de todas as coisas quando Deus criou, com o verbo, os céus e a terra. Com ela e por intermédio dela, o homem conversa com a terra e dialoga com o Criador. Não existiriam os filósofos, nem os legisladores, nem os poetas se eles não encontrassem na palavra as expressões para modelar seus pensamentos. A palavra por mais simples que seja tem um valor inestimável. É o principal elemento de comunicação entre os indivíduos e tem poderes surpreendentes: ergue ou aniquila; constrói ou destrói; arrasta, arrasa, eleva, revigora e até mata... A má palavra é terrível para ferir. Ao contrário, uma palavra boa engrandece, une, transmite afeto. Há pessoas que se especializam em más palavras. “Como você está anêmica!”; “Como você está gorda”; “Que menino magro esse seu filho”. São palavras negativas que nada constroem, só trazendo para quem as pronuncia um retorno de antipatia. Quando se diz a uma mulher ou até a um homem mesmo “Como você está envelhecida (o)” é o mesmo que atirar-lhe uma pedrada no rosto. É melhor achar que esse alguém está “conservado”; é um termo que agrada muito mais, apesar de lembrar sardinha em lata, como diz um crítico teatral. Para passar da pedra lascada para a pedra polida o homem levou milhões de anos. Acredito que vai precisar de outros tantos para aprender a não jogar pedras nos outros através da palavra. Nada existe de melhor do que a palavra do médico quando conforta, consola, é solidário na dor do seu paciente. A palavra do médico em todas as épocas é o remédio preferido dos doentes e que não vende em nenhuma farmácia. Dessa forma vamos usar a palavra para construir, seja o que for, e que sejamos através dela sempre ponte de estima e nunca ilha, isolada, distante do seu próximo. Seja o piloto de sua vida. Com a palavra proferida ganharás terreno se a semente plantada for produtiva. “Viver é não ter vergonha de ser feliz”. Que cada pessoa em sua passagem terrena procure transmitir através da palavra alegria, afeto, distribuindo estímulos e esperança as pessoas que lhe contornam. Lembre-se, meu caro leitor: A palavra de Deus ensina às pessoas a arte de viver.

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