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Opinião

Crescimento e riscos

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Pesquisa divulgada pelo IBGE sobre o desempenho da indústria em maio apontou um crescimento recorde de 7,8% em relação a maio do ano passado. Desde que a pesquisa teve início em 1991, este é o maior índice já alcançado pelo setor, muito embora a base de comparação seja baixa. Nos últimos três levantamentos, o resultado foi sempre positivo, o que mostra uma tendência de recuperação inequívoca. Este resultado foi precedido da divulgação pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), da revisão da projeção de crescimento da indústria brasileira para esse ano, de 4,5% para 4,8%. No embalo, refez também a previsão de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,5% para 4%. O mês de maio deste ano marca também outro recorde: a capacidade instalada do setor industrial atingiu 82,5%, o que não acontecia desde 1992, quando teve início o levantamento. O otimismo da CNI está baseado na continuidade do formidável desempenho das exportações brasileiras, na elevação da massa salarial e a ampliação da oferta de crédito a pessoas físicas, que têm impulsionado o mercado interno. A expectativa se projeta sobre o próximo levantamento do IBGE acerca do desempenho do nível de emprego e da renda, pois isso influencia enormemente a procura por crédito e o comportamento das exportações. No entanto, a própria CNI reconhece que sem uma queda na taxa básica de juros e sem investimentos, a sustentabilidade do crescimento poderá ser prejudicada. Em alguns setores (mineração, química, siderurgia, celulose), os investimentos teriam que ser realizados o mais rapidamente possível para atender a um possível aumento da demanda e para evitar problemas nos produtos exportáveis, carentes de infra-estrutura. O pior cenário para o governo no médio prazo seria o crescimento do consumo além da capacidade instalada de produção, provocando pressões sobre os preços, o que fatalmente levaria a adoção de medidas ortodoxas, como o aumento dos juros, o que por sua vez interromperia a trajetória de recuperação. São as contradições permanentes provocadas pela falta de um planejamento estratégico para o crescimento do País.

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