Opinião
Universidade p�blica
Mais uma vez, mobilizam-se os servidores e docentes da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) em defesa de suas reivindicações específicas. Os primeiros já estão com suas atividades paralisadas desde o dia 1º do mês em curso, e os professores discutem a possibilidade de deflagrar um movimento paredista. Nessas ocasiões é sempre útil realçar o importante papel das universidades públicas para o desenvolvimento e a consolidação de nosso patrimônio cultural, científico e tecnológico. Talvez ao mais simples cidadão escape os benefícios diretos e indiretos que estas instituições prestam à sociedade: em geral, o melhor ensino de graduação, a produção de 90% da ciência do país, a enorme maioria dos projetos de extensão, além dos hospitais universitários cujos serviços atendem, principalmente, a população de baixa renda. É necessário reconhecer a existência de um certo distanciamento entre a universidade pública e a sociedade. Isso pode ser explicado por um certo elitismo da instituição e sua conseqüência imediata: a percepção ? por parte da sociedade ? de que os benefícios gerados seriam apropriados individualmente. A contribuição coletiva existente é em número aquém de suas expectativas e, por isso mesmo, insuficiente para mobilizá-la em sua defesa. Defesa essa que significaria pugnar pelo estabelecimento de regras claras de financiamento ao ensino privado em suas diversas modalidades, de forma tal que fosse possível acompanhar a relação custo/benefício para a população dos recursos públicos ali depositados e a apropriação social de seus benefícios. Responsáveis por 70% das matrículas, as instituições privadas de ensino superior possuem atualmente vagas ociosas e alto grau de inadimplência de seus alunos. Diante desse quadro, é essencial a ampliação da oferta de vagas nas universidades públicas (principalmente no período noturno), o que para tanto demandaria mais professores, mais equipamentos e instalações e, sobretudo, mais recursos. O Brasil investe muito pouco em educação (4% do PIB) diante das necessidades do país. Dobrar esse percentual, como sugerem especialistas, num espaço de quatro anos, vinculando uma parcela desses recursos para recuperar a universidade pública e ampliar a oferta de novas vagas, seria uma saída ? ou é mais uma esperança frustrada?