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Nº 5717
Opinião

Viol�ncia no campo

As organizações não-governamentais (ONGs) Centro de Justiça Global e Front Line divulgaram, ontem, os números de uma pesquisa destacando o setor agrário como o mais perigoso para os defensores dos direitos humanos no País. Os dados, segundo a Agência Folh

Por | Edição do dia 17/04/2002 - Matéria atualizada em 17/04/2002 às 00h00

As organizações não-governamentais (ONGs) Centro de Justiça Global e Front Line divulgaram, ontem, os números de uma pesquisa destacando o setor agrário como o mais perigoso para os defensores dos direitos humanos no País. Os dados, segundo a Agência Folha, já foram entregues à Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU). “São relatos detalhados de cada um dos episódios em que despontam grupos de extermínio, descaso das autoridades, perseguição e espionagem”. O Rio de Janeiro consta do levantamento como o Estado com o maior número de casos de violência contra os ativistas no Brasil. Foram dez casos, entre os 23 assassinatos, quatro tentativas, 32 ameaças de morte. Além de quatro processos injustificados, quatro espancamentos, um seqüestro, um “desaparecimento forçado” e uma prisão injustificada. A divulgação destes dados coincide com as novas mobilizações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) pelo País, para lembrar, desta feita, os seis anos de impunidade dos acusados no massacre dos 19 trabalhadores rurais, que deixou 69 feridos, dos quais dois morreram e 12 não foram localizados. Essas novas ações começaram com invasões, saques e outras ocorrências marcadas pela violência em vários Estados, que aumentam os temores no País que não pode ser ainda mais prejudicado pelas trágicas conseqüências das diversas formas de exclusão social e de conflitos. Só no documento referente à mencionada pesquisa, há 21 confrontos ligados à questão agrária, com 13 vítimas fatais. Eles também ocorreram nas cidades. Esses e outros estudos devem servir para que o Brasil passe a contar logo com os meios capazes de acabar com as principais causas de tudo isto. Somente os números aqui citados são alarmantes. E mais do que suficientes para que os poderes constituídos e a sociedade civil organizada ajudem o Brasil a sair do rol dos países com as maiores desigualdades sociais e econômicas.

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