Opinião
SEGUNDA CHAMADA
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O governo federal publicou, na semana passada, decreto que cria a Política Nacional para Recuperação das Aprendizagens na Educação Básica. A estratégia tem como objetivo implementar programas e ações para a recuperação das aprendizagens e o enfrentamento da evasão e do abandono escolar na educação básica. O projeto foi desenvolvido a partir da escuta ativa realizada nos Encontros de Coordenação Regional, dos estudos e experiências internacionais e nacionais.
Na lista de metas está a elevação da frequência escolar e redução dos índices de evasão e de abandono escolar; desenvolvimento de estratégias de ensino e aprendizagem para o avanço do desempenho e da promoção escolar; diminuição da distorção idade-série e coordenação de ações para o enfrentamento do abandono escolar e recuperação das aprendizagens.
Por causa da pandemia do novo coronavírus, o Brasil registrou uma média de 279 dias de suspensão de atividades presenciais durante o ano letivo de 2020. O estudo Perda de Aprendizagem na Pandemia, uma parceria entre o Insper e o Instituto Unibanco, estimou que, no ensino remoto, os estudantes aprendem, em média, apenas 17% do conteúdo de matemática e 38% do de língua portuguesa, em comparação com o que ocorreria nas aulas presenciais.
Esse quadro não apenas fez aumentar os deficits educacionais, como ampliou as desigualdades, já que nem todos os estudantes tiveram acesso às ferramentas adequadas para o ensino remoto.
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Sabe-se que a motivação dos estudantes também é um fator fundamental para o desempenho. De acordo o levantamento do Insper, o grau de engajamento entre estudantes do ensino médio das redes estaduais no ensino remoto foi de 36% em 2020. Ou seja, foi assistida apenas um pouco mais de um terço da jornada de 25 horas semanais prevista e, espera-se, ofertada.
Reverter esse deficit não vai acontecer de uma hora para outra e exige um esforço concentrado do governo federal, estados e municípios. É fundamental aumentar os investimentos na educação pública e aprimorar o sistema educacional, visto que a pandemia agravou as desigualdades entre o ensino público e particular.