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Opinião

Problema superior

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Parece não ter fim o martírio do sistema brasileiro de ensino superior público. Ao lado da proliferação das escolas privadas dedicadas a essa mesma área de formação, definha a olhos vistos a universidade pública em todo o Brasil. A crise na Ufal é apenas uma manifestação dessa realidade. Faltam verbas para tudo. E quando há dinheiro em caixa, a burocracia impede a utilização racional dos recursos, como no caso dos valores arrecadados com o PSS que estariam bloqueados para uso no custeio do vestibular, segundo informações da reitoria da Universidade Federal de Alagoas. Resolvida a situação específica desse caso, a do uso de recursos em caixa para a realização do concurso essencial para a instituição e para a sociedade, continua em destaque a difícil situação do sistema público de ensino superior. Problemas múltiplos, como escassez de verbas, excesso de burocracia e corporativismo se unem para agravar a crise nesse setor de ponta da educação. Atravancado, o ensino público de nível superior vai sendo desidratado e perde espaço a cada dia, a cada greve. Cada movimento paredista parece complicar mais a situação, à medida que as conquistas esquálidas são dissolvidas politicamente pelo alto desgaste da interrupção das aulas e demais atividades universitárias. Nesse cenário, continuam a crescer em todo o Brasil as escolas privadas dedicadas ao ensino superior. Concluir o curso no período aprazado passa a ser uma questão fundamental e, em muitos casos, a qualidade do ensino oferecido deixa de ser considerada uma prioridade. No quesito qualidade de ensino, muitas instituições privadas dão provas de excelência, nadando de braçada sem o peso das burocracias e dos corporativismos supostamente acadêmicos. Repensar o ensino público de nível superior continua sendo uma prioridade ignorada quer seja pelo governo, quer seja pelos segmentos organizados da sociedade. A cada repetição das desgastadas e desgastantes paralisações improdutivas, aumenta o isolamento dessa instituição fundamental para o Brasil. Está posto ? há bastante tempo ? para professores, funcionários e estudantes uma mudança de rumo nas formas de luta, ou a derrota completa será inevitável.

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