Opinião
O cura Dars
DOM JOSÉ CARLOS MELO, CM * O mês de agosto tem início hoje e é para todos nós o mês dedicado às vocações sacerdotais. Para mim, particularmente, ele evoca a figura de sacerdotes veneráveis pela santidade e pelo zelo pastoral que tive a satisfação de conhecer em minha infância, em Codó, minha terra natal, no longínquo Maranhão, que marcaram positivamente a minha vida. Em primeiro lugar, refiro-me ao cônego Miguel Antônio de Souza, meu primeiro vigário, já idoso e edificante, um santo! Era um pastor, que evangelizou as famílias, sempre com seu breviário e guarda-chuva nas mãos, do qual tive a honra de ser coroinha nas missas em latim. Creio que através dele Deus plantou em meu coração de criança a semente da vocação sacerdotal. Quantas vezes eu o acompanhava no exercício do seu ministério sacerdotal, ora nas visitas aos doentes, ora nas encomendações dos falecidos até ao cemitério! Também, com satisfação e reconhecimento, recordo-me de outros sacerdotes que, no exercício do seu ministério sacerdotal, marcaram positivamente minha infância. Creio que, através deles Deus plantou em meu coração de criança a semente da vocação sacerdotal. De modo particular, refiro-me ao padre José Joaquim de Jesus Dourado ? o padre Dourado, líder da juventude, escritor que ministrava aulas de eloqüência aos rapazes e promovia torneios de futebol com jovens de outras cidades. Refiro-me também ao mons. Osmar Palhares de Jesus, ao mesmo tempo enérgico e espirituoso, que cativava a criançada e os adultos com suas mágicas e passeios na garupa de sua motocicleta. A ele devo a minha ida para o Seminário Santo Antônio, em São Luís, com o apoio da Obra das Vocações Sacerdotais e com suas ajudas pessoais. Poderia lembrar de outras figuras importantes do Clero do Maranhão que marcaram a minha infância, como mons. Frederico Chaves, diretor das Obras Pontifícias das Vocações Sacerdotais (OPVS) com seu amor aos pobres e vida edificante. Também a Arquidiocese e o Clero de Maceió têm a honra de poder contar com a memória de vários sacerdotes que, particularmente, marcaram sua história e conquistaram a admiração do seu povo, pelo testemunho de sua vida sacerdotal, sua cultura e sua atuação nos diversos setores da vida social e eclesial. Neste mês somos convidados a celebrar o ?mês vocacional?, com o objetivo de promover e aprofundar o estudo e a reflexão sobre as vocações. Ao mesmo tempo, somos motivados a intensificar as orações pelo aumento e perseverança das vocações sacerdotais: ?Dai-nos, Senhor, sacerdotes santos, sábios e sadios?. A liturgia nos propõe a celebração da festa de São João Maria Vianney, popularmente conhecido como ?Cura D?Ars?, no próximo dia 04 de agosto, que nos últimos tempos exerceu seu ministério sacerdotal em Lion, no norte da França, e foi proclamado pela Igreja como modelo de santidade e zelo pastoral. O exemplo deste homem nos fez recordar as palavras do apóstolo Paulo: ?O que é loucura no mundo, Deus o escolheu para confundir os sábios; e o que é fraqueza no mundo, Deus o escolheu para confundir o que é forte...? (1Cor 1, 27). Sentia muita dificuldade para acompanhar os estudos de Filosofia e Teologia no Seminário. ?É uma lástima porque é um modelo de piedade?, dissera o vigário, que logo respondeu ao vigário-geral. ?Então eu o promovo e a graça e Deus fará o resto?. Em 1815 é ordenado sacerdote, sem a autorização para confessar, pois o consideravam incapaz para guiar as consciências, e depois é enviado a Ars, onde, para surpresa dos homens, revelou extraordinários dons como confessar e de santidade com exemplo de pobreza, penitência e zelo pastoral. Contemplando a realidade de nossa arquidiocese e, ao mesmo tempo, admirando a ação de Deus na vida do Cura D?Ars, suplico ao Senhor que nos dê ?Sacerdotes santos, sábios e sadios?. (*) É ARCEBISPO METROPOLITANO DE MACEIÓ