Opinião
Mundo confuso
MILTON HÊNIO * Ficamos perplexos, todos nós que temos sensibilidade e desejamos a paz, com a crescente onda de violência que envolve nossa estrutura social minuto a minuto, hora a hora, todos os dias do ano. E ficamos ainda mais apreensivos porque não vemos soluções a curto prazo que possam diminuir tantos atos brutais que deixam famílias em desespero. Atualmente, no Brasil, entre as muitas situações de desesperança duas se destacam sobremaneira: a miséria social e as perspectivas de futuro para os jovens em meio a tantos de-sencontros. Os dados estatísticos mostram índices alarmantes de mortalidade infantil, inclusive em nossa Alagoas; 30 milhões de crianças vivem abandonadas e outros 30 vivendo do lixo, e seus pais convivendo com o desespero porque não sabem o que vão comer, onde vão morar ou como será o amanhã. Até em nossa querida Maceió outrora tão pacata, estamos vendo com freqüência assaltos a bancos e a pessoas em pleno dia, em bairros superpopulosos como a Ponta Verde. A decência só se instala quando quem exige bom comportamento dos outros também cumpre as regras. Nenhum país consegue prosperar quando as leis são aplicadas só aos pobres e desprotegidos. No Brasil, durante muitos anos, a criminalidade ficou incontrolável pelo envolvimento dos bandidos com políticos, policiais e traficantes. Agora, com a chegada de jovens e atuantes promotores e juízes espalhados pelos estados brasileiros, todos cheios de sonhos e ética, já podemos vislumbrar uma luz no fim do túnel. Há uma grande esperança de que tenhamos uma redução da violência, com a punição dos culpados, sejam ricos ou pobres. A impunidade é o principal fator de estímulo à violência. Essa violência existe atualmente por todos os lados: dentro dos lares, contra a criança e o adolescente, havendo o rompimento de laços familiares, violência pela privação da liberdade, do abuso e da exploração sexual, violência contra a mulher, contra os deficientes e contra os homossexuais. Os registros hospitalares servem de testemunho dessa verdadeira guerra social: milhares de pessoas que dão entrada nos hospitais de emergência do Brasil, com os mais variados tipos de traumas decorrentes de atos violentos: surras, espancamentos, embriaguez, queimaduras por pontas de cigarros em crianças indefesas, tiros, facadas, toda sorte, enfim, de loucuras provando que a violência faz parte da vida do brasileiro atualmente. Esperamos que as autoridades e a sociedade, como um todo, se esforcem para, discutindo, chegarem a um denominador comum onde haja soluções que nos tragam a tranqüilidade tão desejada por todos os brasileiros. Sei que o problema não é fácil, pois numa Nação em que 15 milhões de crianças vivem abandonadas, o êxodo rural cresce mês a mês, o número de desempregados aumenta a cada dia, as drogas campeiam na juventude vemos que o problema é difícil de ser solucionado, porque só teremos um mundo melhor quando houver a melhora do homem. Um cientista vivia preocupado com os problemas do mundo e estava resolvido a encontrar meio de melhorá-los. Passava dias em seu laboratório em busca de respostas para suas dúvidas. Certo dia seu filho de 7 anos invadiu o seu santuário decidido a ajudá-lo a ?trabalhar?. Vendo que seria impossível removê-lo o pai procurou algo que pudesse ser oferecido ao filho com o objetivo de distrair sua atenção. De repente, deparou-se com o mapa do mundo. Com o auxílio de uma tesoura recortou o mapa em vários pedaços e junto com um rolo de fita adesiva entregou ao filho dizendo: ?Você gosta de quebra-cabeças? Então vou lhe dar o mundo para consertar. Aqui está o mundo todo quebrado. Veja se consegue consertá-lo bem direitinho. Faça tudo sozinho?. Calculou que a criança levaria dias para recompor o mapa. Com pouco tempo o garoto gritou: ?Pai, já fiz tudo?. A princípio o pai não deu crédito. Impossível reconstruir o mundo em tão pouco tempo. ?Você não sabia como era o mundo, meu filho, como conseguiu consertá-lo?? E o menino respondeu: ?Quando você me deu o mapa do mundo para consertar eu tentei, mas não consegui. Foi aí que me lembrei de que atrás do mapa era a figura de um homem. Virei os recortes e comecei a consertar o homem. Quando consegui consertar o homem virei a folha e vi que havia consertado o mundo?. Esse é o nosso problema. (*) É MÉDICO E-MAIL: [email protected]