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Os recentes desentendimentos comerciais entre Brasil e Argentina trouxeram à tona velhos temores sobre o futuro do Mercosul, o bloco econômico liderado pelos dois países. Para o Brasil, um retrocesso na consolidação do bloco é um péssimo negócio. Por termos a economia mais industrializada, dinâmica e diversificada dentre todos os participantes, seríamos os que arcariam com maiores prejuízos. A consolidação do Mercosul, com sua transformação em algo similar à União Européia (até ? quem sabe ? com uma moeda única) é um objetivo de difícil concretização no futuro. A complexidade da tarefa é enorme, pois existem grandes impasses nas acentuadas diferenças que separam os dois maiores países do bloco, tanto em termos de tamanho do mercado interno como no nível de desenvolvimento industrial. Ao Brasil interessa a manutenção e ampliação das relações comerciais com o parceiro latino. Nosso país vem ampliando as exportações de eletrodomésticos, calçados, tecidos e automóveis para o país vizinho, contribuindo para que se invertesse o superávit comercial e após uma década de resultados favoráveis à Argentina, nos últimos treze meses, o resultado tem favorecido o Brasil. A Argentina, por sua vez, teme o risco de sofrer um processo de desindustrialização. As vantagens do Brasil são incomparáveis na maioria dos setores industriais em disputa. Para os argentinos abdicarem pacificamente de empresas não competitivas, teriam que auferir fortes compensações ? coisa que o Brasil não está em condições de oferecer, até pela fragilidade de nossa economia. A adesão de Espanha e Portugal à União Européia provocou o fechamento de empresas não competitivas nesses dois países. Em compensação, Alemanha e França investiram pesadamente nesses dois países. O resultado é que para os dois países ibéricos ficaram reservados como principais itens de exportação, vinho e azeite ? enquanto alemães e franceses exportam produtos de muito maior valor agregado. Resta saber se, no futuro, a Argentina se prestará ao papel de Portugal ou Espanha e se o Brasil terá recursos suficientes para arvorar-se em dublê de Alemanha ou França.

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