Opinião
Viol�ncia do sil�ncio
Multiplicar-se parece ser uma tendência do mal. Terrorismo gera mais terrorismo, tráfico produz mais tráfico, violência desdobra-se em mais violência. Combater essa tendência maléfica é uma ação cidadã indispensável. Esse é o caso de não se permitir que o silêncio se estabeleça sobre casos como o recente episódio onde ?pitiboys? massacraram um jovem na noite maceioense. Muitas são as caretas da violência na sociedade contemporânea e muitas dessas faces são conhecidas da sociedade humana há séculos. Gangues juvenis são coisas muito antigas e sempre são uma chaga social e policial que deve ser extirpada o quanto antes, sob pena de se espalhar em sangue dos inocentes. ?Pitiboys? são uma praga que pouco difere de outras moléstias morais do tipo ?violência pela violência?. Entre suas características mais danosas estão a crença na impunidade e um certo glamour marginal ? ambos traços típicos de camadas sociais mais favorecidas. Sendo intolerável a violência de grupos nascidos nos arruados da exclusão, mais intolerável ainda deve ser a violência de grupos de marginais ?bem de vida?. Sem condescendência para nenhum dos grupos, pode-se entender a falta de alternativas sociais como um dos fatores impulsionadores da badernagem de agrupamentos de desempregados e, para esses casos, a sociedade tem a obrigação de combater as causas da violência com investimentos sociais ao lado da eficiente ação policial. Igualmente devemos entender que no caso dos ?pitiboys? não existe a muralha da exclusão social a cercar esses indivíduos. Normalmente, a coisa que se convenciona rotular de ?pitboy? é um ser desumano muito bem situado na sociedade, habitante da diversificada faixa conhecida como classe média. Normalmente, esse ser anti-social circula com desenvoltura nas melhores rodas sociais, tem recursos suficientes para custear-se em penosos treinamentos em academias sofisticadas (em alguns casos ali ministram aulas, transmitindo seus ensinamentos para novas gerações). Nenhuma forma de violência merece o silêncio. A violência motivada pelo prazer e pelo exibicionismo deve ser objeto de intensa e permanente campanha de denúncia. A impunidade e o esquecimento são dois elementos multiplicadores desse mal e a isso devemos estar sempre atentos e sempre falantes; essa é uma obrigação cidadã.