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Percal�os no crescimento

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Apesar do aperto fiscal recorde no primeiro semestre (R$ 46 bilhões, equivalente a 5,76% do PIB), a maioria dos analistas não mais duvida de que o país crescerá além dos esperados 3,5% esse ano. Avolumam-se indicações positivas como o aumento da produção industrial em todas as regiões pesquisadas pelo IBGE e o crescimento da oferta de empregos, a recuperação da renda dos trabalhadores e a manutenção de elevados superávits comerciais, apenas para citar as mais importantes. Crescer 4% ou um pouco mais que isso é estimulante para um país que teve um desempenho econômico medíocre no ano passado. No entanto, mais do que obter um crescimento acima da meta prevista pelo governo para 2004, o desafio é criar as condições para sustentá-lo no longo prazo. O episódio que resultou na demissão do diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Luiz Augusto Candiota, substituído pelo economista-chefe de um expressivo banco privado estrangeiro demonstrou ? mais uma vez ? que a atual orientação econômica do governo está mais firme do que nunca. Um dia antes da demissão de Candiota, seu substituto previu que ele seria trocado ?por alguém que apóie totalmente a atual orientação da política econômica?. A crença dos responsáveis pela área econômica do governo brasileiro é de que a atual retomada do crescimento econômico seria a comprovação mais cabal de que a economia está no caminho certo. E mais aperto se divisa no horizonte. Nesse aspecto é útil o estudo da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do BC, onde se admite que a atual taxa Selic (16% ao ano) se prolongará por um bom período e que, se houver pressão sobre os preços, poderá até haver um aumento na taxa básica de juros. Isso confirma para alguns analistas o temor de que as metas de inflação para os próximos dois anos, de tão ambiciosas, poderão impedir a recuperação consistente da economia brasileira.

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