Opinião
Subs�dios e globaliza��o
O acordo firmado na rodada de Doha (Qatar, Oriente Médio) da Organização Mundial do Comércio (OMC) foi um grande resultado para a diplomacia brasileira. O acerto é fruto das negociações entre Estados Unidos, União Européia e o G-20 (grupo de nações do qual o Brasil é um dos líderes), para a redução dos subsídios agrícolas pelos países ricos que causam enormes prejuízos aos menos desenvolvidos, tradicionais exportadores agrícolas. A condução das negociações comerciais internacionais realizadas pelo Ministério das Relações Exteriores brasileiro não obtivera ? até então ? sequer a unanimidade desejada dentro do governo, quiçá fora. Vozes discordantes surgiram defendendo uma política mais flexível, que, no caso, significaria a retomada da política externa anterior, a de inserção mundial subordinada aos interesses hegemônicos das grandes potências. ?É melhor um acordo ruim, do que nenhum acordo?, era o lema desses setores discordantes, menção ao fato de o Brasil não ter formalizado nenhum acordo comercial bilateral favorável importante com países ou com blocos comerciais. Isso indicaria o fracasso da estratégia diplomática brasileira nas negociações comerciais internacionais. O ministro das Relações Exteriores reconheceu que os resultado de Doha foram infinitamente superiores aos do último encontro da OMC em Cancún, onde a reunião acabou num impasse entre países ricos e pobres e no adiamento da formalização de um acordo comercial global. O Brasil, inclusive, foi acusado pelo secretário de comércio norte-americano de ter sido o principal responsável pelo fracasso nas negociações. As ameaças do burocrata americano de que a resistência do Brasil em firmar um acordo contrário aos interesses nacionais resultaria na formalização de acordos bilaterais entre os Estados Unidos e países interessados, insinuando que a posição brasileira ficaria isolada, ganhou defensores internos, que pressionavam o governo por qualquer acordo. Embora não seja o acordo dos sonhos, nas condições atuais, as concessões feitas pela União Européia e Estados Unidos devem ser consideradas um avanço, por serem bem maiores do que o previsto. Resta agora aprofundar nesse caminho, de soberania sem cair em arroubos isolacionistas.