Opinião
A pandemia da violência contra as mulheres tem que acabar!
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Os sentimentos são de sufocamento, de impotência, de indignação, de tristeza, de injustiça, de estupefação...
A cada dia, abrir as principais páginas de notícias, ou acompanhar o feed no Instagram, deixa de ser um hábito cotidiano de informação e não alienação para se tornar uma angustiante sensação de que outro caso terrível estará no topo das principais páginas.
Para muitas e muitas mulheres e meninas, não há segurança física e emocional onde, de acordo com o discurso da família tradicional, deveriam estar “protegidas”. Não há liberdade de ser o que é, nem de viver sem a violação sexual dos corpos. A rotina é de tensão emocional, de sobressalto a qualquer movimento enérgico, ou de uma voz mais alta, ou de um olhar que assusta, intimida, ameaça.
Não há respeito com nossos corpos nos espaços institucionais, nem naqueles em cujas atribuições constam a construção de leis, o desenvolvimento de ações e a fiscalização de ações públicas e privadas para garantir a igualdade, o respeito à dignidade humana das mulheres e meninas. Nem nos ambientes de aprendizado formal, em todas as idades. Nem nas igrejas, nas praças, nos transportes coletivos, no transporte de aplicativo... a violação vem de todos os lados.
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Mulheres são executadas com ódio e crueldade, dentro das relações domésticas, são “corpos matáveis” (para usar as palavras da filósofa). Tudo isso acrescido da violência institucional, da injustiça social, da desigualdade no trabalho e dentro de casa, na execução das tarefas domésticas, na falta de lazer, na pressão social por um padrão inalcançável e não desejável numa sociedade diversa.
As crianças expostas à violência extrema, cotidiana, naturalizada sob pretexto de uma rudeza necessária ao desenvolvimento... quanto engano, maldade, perversidade. Pobres, pessoas pretas e indígenas, desumanizadas, tendo sua ancestralidade e sua forma de ser dizimadas pelo ódio. Pessoas com deficiência alijadas do direito de ir e vir. Pessoas que expressam uma forma de sexualidade diferente das normas tradicionais, tratadas como “aberração” por uma sociedade hipócrita e satisfeita com a dor alheia.
Não são casos apenas para se vociferar, são casos de saúde coletiva, de segurança pública, de assistência social, de justiça, de humanidade, para muito além da criação e aplicação de leis, necessárias, mas insuficientes para transformar tudo isso.
A política do ódio, da autorização da violência, da naturalização das maiores atrocidades sob a justificativa da manutenção da ordem e do poder, poder, poder... que escancara quem tem poder de “deixar viver e de fazer morrer” (para usar as palavras do filósofo).
Não é possível conviver com isso sem se afetar. É desumanidade incrustada nos nossos corpos, cravada nas nossas mentes, nos nossos sentimentos.
Onde encontrar acolhimento? Como lidar com o engasgo diante da “banalidade do mal” (expressão de outra filósofa)? Como não adoecer e continuar levantando todos os dias da cama? Como fazer para entender que nem sempre a humanidade caminha para a evolução? E por onde começar a agir, dentre tantas coisas necessárias pra mudar?
É um desabafo! Um esgotamento que as palavras não alcançam. Ainda assim, deve haver esperança!