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Hist�rias da economia

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Não pode ser menosprezado o papel do governo federal, em anos recentes, para que a concentração bancária no país chegasse onde chegou. Depois de forçar a privatização da maioria dos bancos estaduais, uma das principais fontes de financiamento do desenvolvimento local (apesar de acusações de problemas de gerenciamento e de desvirtuamento de suas funções) abriu caminho para as fusões, incorporações e aquisições que mudaram a face desse setor. Ironia da história: a justificativa para subverter um dos pilares do capitalismo ? a concorrência ? era de que com a concentração e com os ganhos de escala daí decorrentes, o crédito ficaria mais barato. A entrada dos grandes grupos financeiros internacionais no mercado brasileiro com a aquisição de bancos nativos, por sua vez, propiciaria o acesso ao crédito internacional (mais barato), o que terminaria por baratear o custo dos empréstimos internos. Eram as justificativas. Nada mais falacioso. A manutenção por um largo período da taxa básica de juros da economia elevada empurrou o setor financeiro para investimentos mais seguros, com rentabilidade garantida pela própria essência da política econômica que vem sendo praticada há uma década no Brasil. Os bancos não emprestam maior volume de recursos ao setor produtivo porque é mais seguro e rentável aplicar em títulos do governo. Já se tornaram lugares-comuns os formidáveis resultados dos balanços das instituições financeiras. Também não deveria surpreender ninguém que como internamente o crédito não se tornou barato (e nem farto), cerca de 40% do total dos investimentos que serão realizados no país este ano, sairão do caixa das empresas e não dos bancos. O governo passado com o apoio mal disfarçado de parte do empresariado nativo buscou criar as condições para privatizar os principais bancos públicos ou transformá-los em instrumentos para viabilizar as privatizações. Mas agora são estas mesmas instituições públicas, descartáveis até há pouco tempo, que investirão aproximadamente R$ 106 bilhões, dos R$ 300 bilhões de investimentos produtivos estimados para esse ano no Brasil, dos quais, apenas 10% serão oriundos de empréstimos dos bancos privados e outros 10% de investimento produtivo estrangeiro direto. Não estará algo errado nessa história que nos contaram e contam?

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