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Nuvens no horizonte

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Apesar da reconhecida fartura de possibilidades e potencialidades, nada em termos de desenvolvimento real parece ser simples ou fácil no Brasil. No exato momento onde o País se alegra com sinais de retomada do crescimento econômico, e até aumento na oferta de emprego, nuvens carregadas lançam suas sombras sobre o futuro imediato. Duas questões podem ser ressaltadas nesse céu que se turva. A primeira delas está situada no plano político, com os questionamentos sobre a correção dos procedimentos de exponenciais da economia brasileira, particularmente sobre o presidente do Banco Central, acusado de maracutaias contra a Receita Federal. A outra questão está localizada no terreno das perspectivas estratégicas: o sucateamento da infra-estrutura brasileira. Não há como desconhecer a importância basilar da dupla formada pelo ministro da Fazenda e pelo presidente do Banco Central. A conservadora política monetária e financeira ditada, de comum acordo, por esses dois czares da economia manteve o Brasil numa posição do agrado de todos os mais importantes agentes econômicos globais e frustrou as previsões de quem enxergava tendências aventureiras ? nessa área ? no governo Lula. A grosso modo, poder-se-ia dizer que o Brasil está praticamente no ponto para crescer de verdade. Poderá não ser ainda o espetáculo prometido, mas parece acender um holofote no fim do palco. Porém, se for trincada a estabilidade política da equipe econômica, não restam dúvidas que a coisa poderá desandar com o risco de fuga de preciosos capitais. O desafio será apurar as denúncias sem desmantelar a engrenagem que até agora tem garantido a moeda estável e a inflação sobre aparente controle. Temos que apostar no crescimento, senão de que terá valido a pena tanto arrocho? Mas para crescer de verdade não basta as finanças andarem bem das pernas, pois crescimento exige infra-estrutura adequada. Se não forem ampliados os portos, consertadas as rodovias e ferrovias, o caos se estabelecerá com qualquer um ponto a mais por cento de crescimento. Enquanto gira velozmente a ciranda de denúncias contra autoridades da economia, está quase parada a discussão sobre as saídas para a crise na infra-estrutura (em função do jogo político fenece a esperança do Projeto de Parceria Público-Privada). Possibilidades e potencialidades continuam sendo marcas do Brasil, assim como a politicagem e a falta de planejamento.

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