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Opinião

Soberania da Amazônia

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A Amazônia sempre atraiu as atenções. Theodore Roosevelt, ex-presidente norte-americano, antes de ir para lá visitou e ficou encantado com o Instituto Butantan. A sua expedição ocorreu entre dezembro de 1913 e abril de 1914 e tinha o objetivo de mapear o rio da Dúvida, curso d’água de extensão desconhecida entre Rondônia e o Amazonas. Roosevelt era um explorador reconhecido pelo interesse científico e posteriormente publicou seu diário “Nas Selvas do Brasil”, onde descreveu os insetos, os mosquitos, as formigas gigantes e a magnificência das onças, dos tuiuiús e dos tamanduás-bandeira. O governo brasileiro destacou Rondon, que tratava os índios com decência e respeitava a natureza, para acompanhá-lo, o que acabou dando o nome de “Expedição Rondon-Roosevelt”. O industrial Henry Ford, um dos homens mais ricos na época e considerado o fundador da produção em massa, graças à fabricação do modelo T, na busca de ser autossustentável na produção de borracha, em 1928 investiu na Fordlândia em Santarém, lar da Hevea brasiliensis, a seringueira, única fonte de borracha para pneus, mas foi vencido pelo desconhecimento no trato com a natureza.

A Amazônia, de inigualáveis riquezas em fauna, flora e minerais, permanece objeto de atenção e a região do Javari, de 85 mil quilômetros quadrados, onde esquartejaram o indigenista Bruno Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips, é, segundo o presidente do Senado Federal, uma região de “governo paralelo”, dominada pelo crime organizado, onde o Estado não tem a soberania, mas é-lhe refém. O indigenista Bruno Pereira e o jornalista inglês Dom Philips foram assassinados porque lutavam por sua preservação e salvação. Philips, como seu compatriota Winston Churchill - que iniciou a sua vida como repórter de campo na Guerra de Libertação de Cuba da Espanha - e consagrou-se como jornalista até ser o primeiro-ministro da Inglaterra e o homem mais importante da defesa da democracia contra o fascismo no século XX, não era um aventureiro. Os três eram homens forjados nos moldes altruísticos do marechal Rondon. O caso pode também ter impactos econômicos e comerciais severos, pois com as mudanças climáticas a Amazônia está ainda mais no centro das atenções mundiais. No último ano, o maior fundo soberano do mundo – na Noruega - reduziu investimentos no Brasil sob a alegação de que o País vivia uma crise tanto no que se refere aos direitos humanos como em questões ambientais. Acordos comerciais já com sérias dificuldades para serem aprovados agora seriam congelados, assim como muitos investimentos. A invasão da região já é um fato consumado, agora pelo crime organizado. A ineficaz presença do Estado na região trará repercussões internacionais que poderão agravar o já acentuado isolamento brasileiro. O dinheiro existe para estender e aprimorar essa proteção ao meio ambiente e aos indígenas: o Fundo Amazônia, abastecido por países europeus, como a Alemanha e a Noruega, e controlado pelo BNDES, tem mais de R$ 3 bilhões retidos pelo governo. O País pode dar as respostas para o mundo e precisa fazê-lo.

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