Opinião
Riscos do crescimento
Existe uma euforia mal contida no governo federal com o desempenho que a economia brasileira vem obtendo este ano. Autoridades da área econômica comentam publicamente a possibilidade de o País crescer acima da meta esperada pelo governo (fixada em 3,5%). Contudo, existem muitos e graves problemas que precisam ser superados para que o Brasil volte a ter um ciclo sustentável de desenvolvimento. Primeiro será preciso encarar uma reforma trabalhista que permita a incorporação de milhões de trabalhadores ao mercado formal de trabalho. Em segundo lugar será necessário diminuir a carga tributária que sufoca as empresas (em particular as micros e pequenas, tradicionais empregadoras de mão-de-obra)e, em terceiro lugar, serão exigidos maciços investimentos em infra-estrutura. Encaminhadas essas questões de forma satisfatória, é preciso que o governo sinalize claramente para os investidores que a principal agenda do governo ? seu principal compromisso ? é com o crescimento sustentável da economia. É sintomático que as projeções de aumento (de 15%) das vendas de máquinas e equipamentos industriais para este ano ? um dos principais indicadores da vitalidade da economia ? seja decorrente dos investimentos de pequenas e médias empresas, isso segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). As grandes indústrias ainda não realizaram investimentos de porte, apesar de estarem utilizando cerca de 84% da capacidade de produção instalada. A demora nos investimentos não decorre apenas da lentidão na aprovação da reforma trabalhista, ou da protelação das Parcerias Público Privadas (PPP), ou da indefinição das políticas públicas em áreas suscetíveis de investimentos privados (zonas carentes de regras claras e estáveis). As grandes empresas industriais seguram seus investimentos à espera de uma sinalização clara do governo de que seu principal compromisso é promover o crescimento do país. O tempo joga contra as pretensões de se inaugurar um novo ciclo de desenvolvimento da economia brasileira. Apenas como ilustração: a Região Sul, que exportou nos últimos 5 anos US$ 29,3 bilhões, necessita de investimentos urgentes em infra-estrutura, da ordem de R$ 7,5 bilhões, sob pena de provocar um colapso nas exportações da região ? isto é uma simples demonstração de que crescer sem investir em infra-estrutura é simplesmente desastroso.