Opinião
Perigos da infla��o
Pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação brasileira registrou em julho sua maior alta desde abril de 2003: 0,91%. O resultado foi 0,20 ponto percentual superior ao obtido em junho, 0,71%. As maiores elevações foram provenientes de preços administrados pelo governo, como telefonia fixa, energia elétrica e combustíveis (álcool e gasolina). E ainda por cima, a ministra das Minas e Energia já anunciou a possibilidade de novos aumentos para a gasolina. Não existe no horizonte nenhum sinal de descontrole inflacionário, apesar das oscilações da cotação do petróleo no mercado internacional e de prováveis pressões sobre os preços de determinados insumos (se mantivermos a trajetória de crescimento da economia). Tanto é assim que a primeira prévia de agosto do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), divulgada pela Fundação Getúlio Vargas, teve uma forte desaceleração no resultado apurado, se comparado a igual período do mês passado: naquele, a taxa atingiu 0,56% e neste 0,19%, resultante principalmente da queda nos preços dos produtos agrícolas. No entanto, em ocasiões bem mais tranqüilas, a resposta do Banco Central, através do Comitê de Política Monetária, tem sido extremamente conservadora. Na ata de sua última reunião ? convém lembrar ? foi dito que a taxa básica de juros (Selic) se manteria no patamar atual por um largo período. Alguns analistas chegaram a prever que, ao contrário das expectativas generalizadas no início do ano, de que ao final de 2004 ela atingisse 15%, a tendência seria manter-se nos atuais 16%. A atual retomada do crescimento econômico ? ainda não consolidada de todo, por uma série de fatores ? não resistiria a um novo surto de conservadorismo do BC, se em razões da alta do IPCA, o BC decidisse pelo aumento da taxa Selic. Em ocasiões parecidas no decorrer do primeiro trimestre desse ano, o Copom optou por manter a taxa básica de juros inalterada para antecipar-se a uma improvável aceleração da inflação, apesar de que, como agora (em agosto), todos os índices apresentarem tendência de queda. A cúpula da área econômica do governo tem se esmerado em ser mais realista que o rei, como bem notou um dos mais importantes industriais brasileiros do setor de eletroeletrônicos. É aí que mora o perigo.