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Opinião

AMOR CANINO

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Por Alberto Rostand Lanverly - presidente da Academia Alagoana de Letras | Edição do dia 23/06/2022 - Matéria atualizada em 22/06/2022 às 22h33

Outro dia, em mais um bate-papo ilustrativo com Jesualdo, ele repetiu que apesar de adorar Generosa, acreditava serem o verdadeiro tempero do convívio a dois as puladas de cerca acontecidas, sendo ele o atleta, é lógico.

Tempos depois, a cara metade do conquistador, já registrando quase quarenta anos de convívio, encheu o saco das constantes traições sofridas e apresentou cartão vermelho ao seu primeiro e único amor.

Jesualdo, por estar bastante triste, permaneceu quieto por alguns meses, residindo em apartamento adquirido pouco antes da separação, somente acompanhado de Totó, um cachorrinho esperto e parceiro fiel, ao tempo que, em vão, tentava a reconciliação com a sua amada.

Mas como a carne é fraca, Jesualdo resolveu voltar a viver e após quase um ano de reclusão, encontrou uma jovem senhora, possuidora de perfil distinto das novinhas por ele usadas, cujo comportamento conhecia a fundo, e, diga-se de passagem, adorava.

E o tempo passou, o casal parecia estar dando certo. O nosso herói demonstrava haver esquecido os hábitos mundanos que tanto lhe animavam. Os dois, apesar de residirem em seus próprios apartamentos, estavam sempre juntos. Formaram novo círculo de amizade e a vida que levavam parecia ser eternamente leve e simples.

Certo dia, Jesualdo recebeu um telefonema de Generosa, com quem não conversava já há quase três anos, convidando-o para um encontro para tratarem de assuntos de interesse mútuo.

O ex-marido, apesar de possuir compromisso agendado para aquela noite com a sua namorada, simplesmente o esqueceu e correu para lamber os pés de sua antiga paixão, que lhe propôs a reconciliação, com a condição de irem celebrar a retomada da união em badalado restaurante da cidade.

Jesualdo, sem dar a mínima satisfação a quem porventura merecesse, rapidamente, arrumou as malas, colocou Totó debaixo do braço e partiu para a residência onde outrora vivia com Generosa, dali indo ao local escolhido onde encontrariam amigos das antigas e anunciariam a boa nova.

Beberam, comeram, dançaram, beijaram a valer, enquanto fotos ganhavam o mundo via internet, sendo assim todos informados do acontecido, inclusive a namorada, que extremamente magoada, queria vê-lo morto.

Ao término da ágape, os pombinhos retornaram ao lar e ao chegarem, Generosa, falou estar muito cansada e foi dormir sozinha, deixando-o na sala. Nesse momento, o conquistador, conhecendo as antigas proezas por ela praticadas, teve a certeza de que havia entrado em uma fria.

Manhã seguinte, ao acordar, Jesualdo foi posto de casa para fora pela vingativa mulher, que repetia não suportá-lo e queria somente mostrar como ele era um fraco.

Jesualdo perdeu as duas companheiras de uma só vez, e, para piorar, deixou o local cabisbaixo puxando a mala que nem teve tempo de desarrumar, e o cachorrinho Totó, que, aliás, deve ser o único amor sincero com que ele possui.

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